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.::truth is in a tall beer::.
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divagações, manuscritos e conversas de mesa de bar
30.6.03 londres é o pico![]() Pra quem reclama de assistir ao Fica Comigo só pra poder ver essa gracinha aí em cima, começou a nova fase do Mochilão. Hoje ela tava em Londres, onde encontrou, entre outros, o Patife e o Marky. Assistirei.
[por Francisco Mahfuz] 03:07
parnasopunkVendo a seda que a MTV tem rasgado pro Los Hermanos, lembro de um daqueles Dataclips cheios de notas e acepipes sobre cada banda que dizia o seguinte:Eles ficaram chateados com o sucesso e fizeram um cd com inspirações circenses e carnavalescas, que só vendeu 35.000 cópias. Idiotas. Como as coisas mudam.
[por Francisco Mahfuz] 02:10
29.6.03 ah, delecioso!Da série Coisas que me manteriam alimentado e feliz numa ilha deserta:Bife à milanesa com mostarda do Rib's.
[por Francisco Mahfuz] 23:17
28.6.03 fuck the karma policeÀs vezes me parece impossível acreditar em ação e reação, numa balança cósmica de recompensas e castigos, que nada acontece por acaso. Às vezes eu queria muito ser daquelas pessoas que tem fé, que conseguem rezar em busca de ajuda. Às vezes eu queria ser mais otimista, mais esperançoso, mais cedo ou mais tarde a acidez revolta o estômago. Às vezes eu só queria não estar tão anestesiado.O medo mancha mais que o sangue.
[por Francisco Mahfuz] 22:53
ignorance is blissHá muito tempo aprendi a fazer tudo escutando música. Estudar, dirigir, dormir, sempre com um volume respeitável, nada dessas frescuras de deixa baixinho que senão me desconcentra. É claro que quando o que tá rolando é extremamente cantável, perturba um pouco, na medida em que esse desafinado aqui tenta acompanhar as evoluções vocais de qualquer um que desponte da vitrola. A música instrumental sempre teve essa vantagem de preencher o ambiente sem adentrar a mente, ficando meio na marginalidade da consciência. Não adianta mais. Depois que se aprende a gostar de música sem cantorias, ela perde essa coisa de não prender a atenção. Cada acorde parece mais familiar, cada nota é esperada com ansiedade. Cheguei a um ponto em que gosto tanto de som que me dá vontade de fazer certos trabalhos SÓ porque sei que escutarei algo entrementes.Por isso parei. Deixo o walkman capenga em casa, durmo ao som dos grilos, larguei parcialmente. E começo a entender que a música abafava um pouco os gritos aqui de dentro. Eu tenho a coisas pra falar comigo, e não sei se quero escutar. Agora não, tá tudo complicado, não tenho tempo, mas vai que eu me digo algo útil? Nah, eu não sei nada, não tenho nada a me ensinar. É muito difícil agüentar o que o silêncio grita. Por enquanto, resisto bravamente a tentação de comprar fones novos e soterrar com paredes sonoras tudo que tenho a me dizer. Por enquanto.
[por Francisco Mahfuz] 06:59
padma dorjePor outro lado há os que se perdem na essência - e na verdade, ambos os grupos se confundem. Há tanto os que consideram as estruturas aprisionamentos quanto os que as consideram liberdade. São meras estruturas. Há o fanatismo religioso e há o niilismo. Há o laisser-faire e o extremista. Caem presas do fascínio de que se utilizam.Mas é preciso "não abandonar a gravata sabendo que ela é idiota", esta é a chave. Dissolver sem desenvolver é tão inútil quanto desenvolver sem dissolver. As estruturas fascinam alguns, enquanto outros são fascinados pela ausência de estruturas. Enquanto a fascinação em si pode ser muito útil, se nos envolvemos com ela perdendo de vista sua ilusão, que tipo de compaixão poderemos desenvolver? Acabo de adicionar aos links ali do lado.
[por Francisco Mahfuz] 05:19
borbulho um gorgulho, gargalho, mas não engulo o meu orgulhoAs longas viagens de ônibus toda manhã oferecem-me um luxo de outra forma raro: tempo. Se consigo sentar, estudo ou leio alguma coisa, mas como isso normalmente não é possível, faço outra coisa que não é tão comum: pensar. Uso esses momentos de calmaria para refletir sobre conceitos e atitudes que já há algum tempo me desagradam, no jeito que ando fazendo as coisas. Geralmente me atenho a um tópico específico e deixo a mente girar em torno do mesmo - o que eu poderia pretensiosamente chamar de "meditação". Uma das coisas em que tenho empenhado mais esforço é livrar-me dessa coisa inútil e nociva que é o orgulho.Por esses dias senti algum efeito desse meu esforço, quando recebi de volta a primeira prova da minha nova vida acadêmica. O professor começou a falar sobre alguns alunos que tinham chamado mais a sua atenção por uma qualidade superior nas respostas, além de abordagens criativas e incomuns às questões propostas. Fui mencionado - para minha surpresa, sem nenhuma alteração de ânimo. Quando recebi a nota, em nenhum momento me passou pela cabeça coisas como fui um dos melhores, quem tirou mais do que eu, essas merdas. Só aceitei que tinha entendido bem o que devia, e fiquei em silêncio. Mas com o passar do dia, comecei a sentir uma felicidade estranha por não ter ficado orgulhoso, por ter tido uma atitude condizente com as que gostaria de ter; quando vi, esse contentamento desenvolveu-se de uma maneira que eu entendi estar... orgulhoso. Por não ter sido orgulhoso. Acabou dando na mesma. Porra. O caminho ainda é muito longo, eu sei.
[por Francisco Mahfuz] 01:03
27.6.03 antes que alguém pergunteNão sei o que aconteceu com o sistema de comentários; eles ainda estão todos ali, mas os contadores ficaram loucos. Já andei pesquisando por aí, e aconteceu a mesma coisa com vários outros blogs.Shite.
[por Francisco Mahfuz] 02:35
26.6.03 preciso aprender a fingir melhorO poeta é um fingidor.Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. Fernando Pessoa
[por Francisco Mahfuz] 15:51
apartheidPrimeira cena: um homem bem-apessoado, barbudo, manquitola em direção à sua morada depois de um dia extenuante de trabalho.Pan-right: um grupo numeroso de pessoas afro-brasileiras concentra-se numa esquina, usando roupas de basquete e fazendo uma algazarra considerável. Close-up: imagem fixa no trabalhador, que transmite vividamente o que passa na sua cabeça naquele momento: FODEU. Lentamente, pondera a sua dúvida sobre manter a recuperação lenta de sua rótula e arredores e ser privado de suas possesões, quiçá de sua inocência, ou correr ÀS GANHA e preocupar-se depois com as nefastas conseqüências ligamentosas. Pan-left: o grupo de afro-brasileiros começa a movimentar-se de forma ritmada e organizada, no que só pode ser uma versão porto-alegrense do glorioso You Can Dance. Close-up: o aleijão encontra-se perplexo, de certa maneira envergonhado por seus pensamentos. Serei eu racista?, foi o que fiquei pensando depois desse inusitado acontecimento. Porra, dez e pouco da noite, um monte de neguinho (não no sentido carioca da palavra [e sem hipocrisia por que a gente fala isso mesmo]) vestidos como MANINHOS, que iria eu imaginar? Bom, o número de criminosos brancos é tão grande quanto o de negros, e tal presunção não tem muita base teórica, mas várias pessoas com quem falei expressaram a mesma opinião que eu. Talvez certas idéias estejam simplesmente muito arraigadas em nossas mentes para que o bom-senso impere. Gostaria de saber se algum dia esses preconceitos (os meus, ao menos) vão desaparecer. O que sei com certeza é que fiquei meio desconfortável com a coisa toda.
[por Francisco Mahfuz] 02:00
menos violência, mais barbasBom show o de ontem, do Los Hermanos. O cd novo é ótimo, o público conhecia surpreendentemente a maioria das músicas, e os caras mandam muito. Pero... como eu continuo clinicamente incapacitado de CHUTAR CABEÇAS, tive que resguardar-me longe do palco, onde a AGRESSÃO estava ao alcance, e admito que perco grande parte do meu interesse quando isso acontece (como quando os doentes do Dance of Days estiveram aí e fiquei admirando à distância o mosh SUICIDA e o pogo DEMENTE.). Acho que é possível sentir o som de uma maneira mais completa quando tu é obrigado a pular e se debater para evitar a morte iminente; talvez por isso não goste tanto de coisas mais caseirinhas, tipo o que o Eric Clapton fez aqui há alguns anos. Além das minhas limitações, considero o Ventura um álbum bem mais intimista que os dois primeiros, e por isso com menos adequação à arena. Ainda assim, gostei bastante.Outra coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas portando PELEGOS em suas frontes (o que vos fala incluído, obviamente) - admito ter pensado várias vezes tu não devia tá lá na palco tocando, merrmão?, além de uma grande diversidade de MOÇAS fáceis aos olhos. Como derradeira observação: o que o Amarante canta já vale o show - vide a catarse coletiva durante "Retrato Pra Iaiá" e "Sentimental". Vai.
[por Francisco Mahfuz] 01:17
24.6.03 acordei me sentindo meio sancho pançaTem dias em que tudo faz sentido.Desperto, dou uma olhada em volta, e vejo que as minhas tapeçarias e vitrais não são nada além de cortinas velhas e janelas rachadas. Afasto meus lençóis que nunca foram de seda, e saio da cama. Caminho um pouco e percebo que nenhum corcel me aguarda nessa garagem suja, que de estábulo tem só o cheiro. Moro num castelo de ilusões, símbolo maior desse reino que vai somente até onde a minha inocência alcança. Estou cercado pelas muralhas que ergui de meus próprios medos, proteção necessária à uma vida cada vez mais real. Não sei exatamente quais as guerras que pretendo enfrentar. Não conheço meus inimigos. Mouros, cristãos, moinhos, gigantes? Nem. Meu maior dragão é a mediocridade, e espadas em pedras não me seriam de nenhuma valia. Vejo que pra suserano dou um belo vassalo. Que maiores aspirações me mantém? Minhas princesas não querem acordar, ou já fugiram com o bobo-da-corte - não serei eu o bobo-da-corte, entonces? Até as bruxas desistiram, não mereço tantas asas de corvo e pés de sapo. Minha cruzada não tem objetivos nobres (alguma tem?); não sou um libertador, não tenho o que ensinar, o que oferecer; nada mais que mais um plebeu. O direito de morrer bravamente nunca me será concedido. Sou um cavaleiro do meu próprio egoísmo. Tem dias em que tudo faz sentido. E eu gostaria que não fizesse.
[por Francisco Mahfuz] 20:54
23.6.03 huge freakAproveito a deixa e explico um mal que vem me afligindo há algum tempo; coisas engraçadas começam a ser comentadas, eu me empolgo, e aí alguém cita esse maldito filme: lavo-me em lágrimas, caio no chão, e nem dor física é de todo estranha nesses momentos. Já tive alguns problemas sérios por causa disso, na medida em que estava em lugares públicos e ouvi falar daquele CAFETÃO COMENDO ALFACE MOLHADO - o riso desmedido e a vergonha foram inevitáveis.E eu nem achei o filme TÃO engraçado. Ah, rumores dão conta de que uma seqüência estaria a caminho. Temo.
[por Francisco Mahfuz] 23:10
fuma la marijuana e esquiece de lo que se passaAlguns trechos de mais uma obra-prima do Conjunto Comercial, a estrela cadente da paz que representa como nunca antes imaginado toda chinelagem Fabicana:"pero que yo no puedo hacer la cosa de la persona muy grande...
pero que yo no compreendo como mi leguminosa no te impressiona como una majestad del amor te quiero demás..." "amor, la revolución las passeatas, recuerdos de paquetá... amor, el Carlos Menem no puede contra nuestras formas de amar pois los dientes de un tubarón están cravados bien fundo en mi peito batistuta es un pizarrón e tu no puedes jamás contestar la verdad..." Rolou um Deuce Bigalow de respeito ao escutar esse treco.
[por Francisco Mahfuz] 22:55
22.6.03 :-L
O destruidor de toda fala inútil (©Parada)
[por Francisco Mahfuz] 22:46
sorrê, it's jâst mi fockên aksântFui mais uma vez ontem no Shamrock, pub irlandês que tem ali pertinho da Redenção, a uma quadra do reduto de velhos conhecido como Bar do Beto. Lugarzinho bem agradável. A decoração é legal, rola um brit-pop de respeito (pra quem gosta, que até não é bem o meu caso) e o dono é uma das figuras mais simpáticas que já encontrei por aí. Vale dar uma chegada lá só pra escutar o cara falando com um dos sotaques mais carregados que já ouvi pérolas como "that will bi ten ên eitê", "we're out of CHÔP, which ain't fockên normal, aye" e ainda "don't go to Dublin, mate; it's fockên Disnilând!". Não é o pub mais barato, mas poder jogar dardos de verdade e comer aquelas batatas com cheddar vale o investimento. Recomendo.
[por Francisco Mahfuz] 20:20
21.6.03 ecos do silêncioYou tell me that silenceis nearer to peace than poems but if for my gift I brought you silence (for I know silence) you would say This is not silence this is another poem and you would hand it back to me. Leonard Cohen - "Gift" O quanto é válido expressar nossas opiniões? Às vezes parece que estamos acostumados a falar simplesmente por falar, mesmo não tendo nada de proveitoso a dizer. Talvez por acharmos que qualquer troca de idéias terá sua utilidade, tentamos dar aconselhamento a quem nos pede ajuda mesmo sabendo que não temos as respostas que estão sendo buscadas. Pode ser que na verdade tudo que façamos seja refletir o que faríamos em determinada ocasião, e colocar isso como o que seria a atitude mais correta a fazer. Meio arrogante, não? Eu comecei a pensar sobre isso, e começo a ver cada vez mais validade nesse tipo de coisa aí embaixo: Antes de falar, o Buddha sempre prestava atenção a três coisas. Primeiro, verificava se aquilo que estava por dizer correspondia realmente à verdade. Em seguida, considerava se suas palavras seriam mesmo benéficas para o ouvinte. Depois de considerar esses dois pontos, em seguida escolhia o local e a hora mais adequados para abordar o assunto. Em alguns casos, ainda que se tenha que dizer e verdade, é melhor calar. E se devemos realmente falar, muitas vezes provocamos conseqüências negativas apenas porque o lugar e a hora não foram escolhidos corretamente. Buddha era tão atento a esses princípios a ponto de os aplicar mesmo para pronunciar uma única palavra. (Shundo Ayoma Rôshi) É curioso notar que para ensinar certas coisas partimos do pressuposto que sabemos do que estamos falando, e essa é outra área conflitante. Eu dou aulas (dizer "sou professor" parece-me meio forte), e isso requer uma certa confiança, mas cada vez me conscientizo mais de que sei muito menos do que posso aprender (e não acredito que a ordem desses fatores algum dia se altere) - o que me coloca numa situação de certa forma paradoxal. Mas o que tem me deixado pensativo desde ontem é o seguinte: qual a utilidade de discutir algo para o qual não temos as respostas? É possível que da união de ignorâncias saia alguma revelação? Realmente não sei. Só sei que pretendo tentar escutar mais daqui por diante, e quem sabe assim eu encontro algumas dessas respostas que busco.
[por Francisco Mahfuz] 23:03
20.6.03 numa dessas esquinasHoje te vi numa dessas esquinas. Não parei, não saberia o que fazer, o que dizer, se parasse. Fui adiante tentando acreditar que tu não estava ali, que era só mais um daqueles sonhos que tenho às vezes, ou quase todas as vezes em que fecho os olhos. Te vi linda, daquela maneira que quase não acredito ser real - seria tão mais fácil, tão menos doloroso se tu não fosse real. Mas eu sei que tu é. Já falei contigo, te beijei, te fiz feliz (acho), te ouvi dizer que nunca ia embora. Mas tu foi, e levou aquela parte de mim que sabia sorrir de verdade, que ainda não tinha aprendido que era possível viver sem estar realmente vivo. E é isso que sinto, sabe? Não estou vivo, só matando tempo, esperando alguma coisa, alguém, que me diga que eu estou errado, que existe razão depois de te perder. E te perdi daquele jeito que não dá pra suportar, que não dá pra explicar. Tu simplesmente foi, aos poucos, sem nunca pedir de volta o que me ensinou, sem devolver o que te ensinei. Não podia ser assim, eu precisava de um acidente, um ódio, um erro, algo pelo qual pudesse me culpar. Ter sido insuficiente não é o suficiente. Eu passei, e tu veio atrás. Achei que não tinha me visto, que era coincidência. Mas não. Tu me sorriu pelo espelho, e toda a fortaleza que eu construí com tristeza e amargura se desfez, por muito pouco não sorrio de volta. Mas lembrei pra onde essa estrada leva, e decidi que não mereces minha simpatia, ou minha raiva, nada meu. Não posso te dar mais nada além de tudo que eu podia ser. Não posso te dar a chance de não se importar, de levar embora a ilusão que meu silêncio te agride. Não é muito, mas é o pouco que me sobrou. Entrei numa rua pequena, como eu, e tu não veio atrás. Mudei de idéia, dei algumas voltas, onde tu está, quem está indo encontrar? Eu não sei, talvez nem queira, mas sei que não sou eu, e isso já é mais do que posso suportar. Viro a direção, piso no acelerador com tudo que ainda tenho, boto o pé lá no fundo, mas de certas coisas não dá pra fugir, não dá pra se esconder. Hoje te vi numa dessas esquinas, mas vou fingir que não. Ou nunca mais consigo sair de casa.
[por Francisco Mahfuz] 22:01
behold the light![]() Outras coisas belas assim podem ser encontradas nesse site. E eu que não consigo nem desenhar um Homem-Aranha no Free Hand...
[por Francisco Mahfuz] 17:31
19.6.03 terça-feira ainda está muito longeAbre os teus armários. Eu estou a te esperar para ver deitar os sol sobre os teus braços castos. Cobre a culpa vã ... até amanhã eu vou ficar e fazer do teu sorriso um abrigo.Canta que é no canto que eu vou chegar. Canta o teu encanto que é pra me encantar. Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você. Que explique a minha paz. Tristeza nunca mais. Vale o meu pranto que esse canto em solidão. Nesta espera o mundo gira em linhas tortas. Abre essa janela, a primavera quer entrar pra fazer da nossa voz uma só nota. Canto que é de canto que eu vou chegar. Canto e toco um tanto que é pra te encantar. Canto para mim qualquer coisa assim sobre você que explique a minha paz. Tristeza nunca mais. Los Hermanos - "Casa Pré-Fabricada"
[por Francisco Mahfuz] 23:58
em nome do paiO presidente regional do PMDB, deputado federal Cezar Schirmer, anunciou ontem, na Assembléia Legislativa, o projeto vencedor do concurso para a construção da sede do partido no Rio Grande do Sul. O 1° lugar ficou com Cezar Dorfman e o 2° lugar com Édson da Cunha Mahfuz, professores da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.Kudos, old man.
[por Francisco Mahfuz] 23:38
leave no ear unbledWhen the world comes to whatever ignominious end we choose, Happy Songs for Happy People will be playing somewhere. It'll be the instrumental soundtrack to everyone's collective thoughts of anger, resentment, acceptance, and then, ultimately-- after everyone's had time to reflect and make peace with whatever the hell it is they're trying to reconcile at that particular moment-- it'll also be the soundtrack to great big letdown of, y'know, the world ending.Eu PRECISO escutar esse cd.
[por Francisco Mahfuz] 19:46
18.6.03 uma chamarra, uma caldeira, uma chinoca, uma chaleiraQuestão que anda provocando debates iracundos sempre que é levantada: quais são as características essenciais para que alguém se considere filho deste estado cuja capital é mui leal e valerosa? Compatriota do Capitão Rodrigo? Pertencente à terra dos pampas? Em suma, o que torna alguém realmente GAÚCHO?Uma lasca de charque pra quem responder sem usar as palavras chimarrão, macho, bairrismo, sotaque ou guria.
[por Francisco Mahfuz] 17:12
don't answer the phoneNão sou dessas pessoas que não gostam de falar no telefone, e acho que um aparelho celular tem grandes utilidades. Mas, porra, custa desligar antes de entrar na aula?
[por Francisco Mahfuz] 16:59
isso dá cadeia, manéAcabo de receber isso aí por email vindo de um tal de "O Mestre", com o título de "Momento de Sabedoria"; tá com MUITA cara de ser um esquema de pirâmide; meio Paulo Coelho, mas ainda assim uma pirâmide.Certa vez, um cientista decidiu fazer uma experiência com a capacidade térmica dos sapos. Ele pegou duas panelas, uma com água fervente e outra com água fria. Colocou as duas no fogo e jogou um sapo em cada uma. Na primeira, com água fervente, o sapo pulou desesperadamente para fora da panela, numa resposta imediata ao seu sistema de defesa. Na segunda, o sapo continuou dentro da panela. Sem se dar conta de que a água estava esquentando gradativamente, nem se mexeu. Não sentindo as mudanças a sua volta, pois seu organismo não responde a mudanças lentas de temperatura, acabou morrendo cozido. Moral da história: muitas vezes não refletimos em como está nossa vida, em que poderia mudar, onde poderíamos chegar. Nos conformamos com nossa zona de conforto e só tomamos uma atitude quando somos pegos de surpresa. Não espere sua água ferver. ENTRE E VEJA COMO
[por Francisco Mahfuz] 16:52
17.6.03 come down dawn to find some peaceDia muito estranho esse de hoje, desde ontem. Hein? É isso mesmo, misturei as petecas, virei bem virada essa madrugada. Nah, não tava me acabando numa dessas noitadas orgiásticas e etílicas que de vez em quando nunca faço; tava fazendo TRABALHINHO pra faculdade mesmo. Tá ligado aquele que tu pode tentar fazer meia-boca, te emociona e quando vê que te meteu numa furada já era? Bom, foi isso. Quis tentar algo que na teoria soava bem, e vi que não era bem assim. E o meu grupo virtualmente não existiu, com a exceção de me darem aquele olhar suplicante de me diz qual é a minha parte, por favor. Não dá nada, é melhor fazer assim, tô nessa para aprender, faculdade virtual já bastava essa aqui. E tenho que admitir que lá pelas 3 da matina, antes de bater o pavor de achar que não terminaria o treco, quando estava com a Odisséia, a Divina Comédia, a Poética e uma bíblia EM INGLÊS na minha frente, além de anotações no colo, na cadeira, mesa e quase no cachorro (que vinha pro meu quarto me dar uma moral e saía fora com cara de entediado), senti-me estranhamente FELIZ. Tu vê só. E a coisa foi se prolongando, quando vi o adiantado da hora pensei que ainda ia ver o sol nascer com uma ceva na mão, mas nem. Botei o último grampo no trabalho quinze pras sete da manhã, e saí de casa bem na hora de pegar aquele Agronomia vazio - que já pararam de me dar arrego pela muleta. Aí chego no Vale, dou um oi pros cachorros parcêros que sempre estão por ali, vejo umas pessoas pegando ônibus, mas, porra, quem pega ônibus pra SAIR do Vale às sete da manhã?? Esses desgraçados dormem lá??? Bom, manquitolo escadaria acima, me atiro numa cadeira e começo a me sentir TODOFIADAPUTA. Noto de soslaio os baldes cuidando das goteiras que ainda refletem o CALDO de ontem; nem me atucanei, mas soube que teve neguinho boiando Nilo abaixo. A turma chega, a aula começa, meu grupo é só pavor, descobrimos que dava pra apresentar e entregar na semana seguinte, mas isso não me deixa chateado, foi uma boa madrugada, Los Hermanos e Radiohead a noite inteira. Tem coisas piores. O segundo grupo emenda a falar de Gil Vicente e eu começo a perder o interesse. Aí um cara com essas caras de cansei da minha meia-idade e vim estudar começa a falar do Dante. E pára. Sorri meio de lado, meio Ed Mort - ele lembrava o esfarrapado detetive, agora pensando bem nisso. Deu branco, parece. O professor gente-fina diz pra outra pessoa falar, depois ele lembra. O cara mira o horizonte e DESABA. Caiu assim, na maior. Pegaram ele antes de se esborrachar, mas rolou aquele HORROR, gurias nervosas, homens rindos, a gente é foda. Aí chamaram uma ENFERMEIRA DE FILME PORNÔ TRASH pra atender o cara e tudo ficou na boa. A aula, obviamente, não rolou mais. Perdi uma garrafa d'água mas voltei pra casa com uma cópia de Dom Quixote no original - só o primeiro volume já é do tamanho da minha pretensão de ler isso em espanhol. Mas lerei. Uma boa noite/manhã, no geral.
[por Francisco Mahfuz] 20:25
16.6.03 the thing that should not beFaz algum tempo que o Metallica vem se distanciando do que foi um dia uma baita banda; talvez incensados demais pelo sucesso de And Justice For All e, mais especialmente, do Black Album (o cd que até as patricinhas gostavam), simplesmente perderam a direção. Admito que achei o Load e o Reload aceitáveis, apesar de alguns crimes como "Unforgiven 2"; depois disso, não teve mais nada. O álbum de covers foi interessante, e o cd ao vivo com a Orquestra Sinfônica de São Francisco era um doce - mas nenhum material inédito. Agora, pra jogar uma pá de terra na já funda cova dos caras, sai essa resenha do novo álbum, com a gloriosa nota de 0.8.Não escutarei.
[por Francisco Mahfuz] 22:32
holier than thouAlguém já reparou como a texto da Bíblia Sagrada tem umas coisas realmente curiosas e engraçadas? Estou aqui me divertindo com algumas definições enquanto me afundo em livros para um trabalho simples que eu tornei quase uma monografia...Elaborarei, mais tarde.
[por Francisco Mahfuz] 16:44
15.6.03 pequeno dicionário amoroso![]() gracinha adj. Katie Holmes Pena que vai acabar a série desse mané; não poderei mais vê-la tão seguidamente.
[por Francisco Mahfuz] 01:57
14.6.03 não consigo chegar tão perto do solTu sempre diz as coisas que não deveriam ser ditas, que não teriam por que ser ditas. Eu não acredito, não tenho como acreditar, é tudo tão enfeitado, exagerado, tempestade no meu copo de bile. Passam horas, dias, semanas, tu me cansa com essa insistência toda. E qual o motivo disso tudo? Me deixar feliz, fazer eu acreditar que eu vivo uma vida que não é a minha? É que tu não me entende. Eu sofro de males que a ciência nem explica, que a religião ainda não pôde condenar. Peco por não pecar do jeito que gostaria, por não ser o pecado que vai mandar alguém pro céu. Vivo por entre as nuvens, mas vôo baixo, minhas asas doem, acho que elas foram só um presente de mau-gosto. Nasci pra Prometeu, nunca tive jeito pra Ícaro. Queria velejar por mares nunca dantes navegados, mas o balanço da caravela me enjoa, vomito toda esperança que um dia pude ter. Queria deitar-me em jardins malditos, mas nem profana consigo ser, deixei de acreditar em tudo que pudesse ser minha perdição. Às vezes sonho com uma vida nova, diferente de tudo isso aqui, longe dessas pessoas que não me conhecem, não me entendem (como tu), querendo que eu seja algo que não sou (como tu), longe de responsabilidades que não me dizem nada, de beijos e olhares que não me dizem nada, longe de mim, que sou o pior de meus inimigos. Me odeio dia após dia por não aceitar que me aceito, que sou o que mereço, que sou o que sonhei num daqueles pesadelos ruins que te fazem acordar suando sangue. Será isso que o destino (haha) me reserva? Ser uma deusa pagã sem sacrifícios, sem oferendas, desaparecer no turbilhão de vozes que não dizem nada além do que a minha consciência grita? Não penso em onde errei, mas se algum dia acertei, não penso em voltar atrás, antes morrer do que orgulhosamente repetir as falhas que não tenho certeza de ter cometido. E tu continua insistindo, me empurrando teus elogios que soam tão mentirosos, me agredindo com todas essas pétalas que joga na minha cara. Não é tão fácil assim, tu não vê isso? Não dá pra simplesmente botar tudo fora, fingir que não tenho crimes a pagar, renegar os passos bastardos que dei nessa estrada de tijolos desbotados, com esse resto de tinta amarela falsa, falsa como tantos sorrisos que já distribuí. Dói dizer isso, sabe? Seria tão mais doce afogar meus demônios nesse mar de lágrimas que derramei, te deixar ser represa, mas não consigo, não consigo ter fé, meu ego é ateu de si mesmo. Sinto que o que te move é muito menor, menor que essa pessoa que tu quer que eu seja, que essa pessoa que tu espera que eu acredite que tu é. Não entendo por que fazes isso, mas sei que não pode ser por altruísmo, acreditar nisso destruiria tudo que eu ergui com madeira, pedras e amargura. Pára, não diz mais nada, cala essa tua boca desgraçada e deixa essa desgraçada em paz. Tu não entende que sempre que caminho por debaixo da tua pele eu exponho todos os destroços que amontam ao que eu sou? E o pior, o pior de tudo, é que eu gosto. Gosto dessas palavras que odeio, dessas cartas que enganam, desses pregos com que tu me prende na cruz do que eu poderia ser. Gosto de me ver através dos teus olhos egoístas, tudo parece sempre mais suave do que verdadeiramente é. Mas tu não te interessa pela verdade, não é? Só te interessa ver a pessoa que tu criou, em que tu sozinho acredita. E tu fala, insiste, e eu te odeio cada vez mais, quero te machucar, tirar teu sangue, te matar. Mas quero que volte pra me assombrar com tuas correntes arrastadas e sussurros etéreos, que me cause calafrios, pesadelos, não me deixe dormir, me faça gritar e chorar. E, cada vez mais, quero que também me faça acreditar.
[por Francisco Mahfuz] 20:46
13.6.03 no puede dejarme en el medio de la cancha porque mi leguminosa es muy grande (©Paraíba)Eu adoro espanhol (ou castelhano, vale); acho uma língua bonita, gostosa de falar e agradável de ouvir, especialmente vindo de MOÇAS. Mas o que é inegável é que também é uma língua MUITO ENGRAÇADA. A grande maioria dos brasileiros acha que sabe falar espanhol simplesmente pelo fato de que entende bastante do que é dito, o que provoca tentativas ridículas de expressar-se. Quando trabalhei no Fórum, escutava barbaridades o tempo todo - nego achava que colocar ón no final das palavras e botar a língua entre os dentes pra dizer o "c" e o "s" era o suficiente. Daí a impagável cara dos gringos quando ouviam algo como "a mi tu persona me gusta mucho, mucho, porque es muy GOSTOÇA". Heh.Outra coisa notável é como o espanhol é a língua da CANASTRICE; experimente elogiar alguém sem parecer um caminhoneiro - "¿Está muy caliente acá o eres solamente tu?". Cantar é outra tarefa meio complicada, sempre me causa certas CONVULSÕES de riso quando ouço alguém fazendo-o. Mas, como qualquer língua latina, ela é infinitamente mais apropriada às COISAS PASSIONAIS - mais do que o inglês, pelo menos, em que tu chama alguém de baby e fica te sentindo um imbecil. E xingar os outros em espanhol é uma beleza, também. Não tô certo, Martha?
[por Francisco Mahfuz] 16:51
12.6.03 fresno, amanhãconfirmando os rumOres, faremos sim um show depois de mais de seis meses de ostracismo. dividiremos o palco com not so easy, running out e banzai, no próximo dia 13, sexta-feira, na casa rosa (garibaldi esq. cristóvão colombo) .Já tava na hora. lml.
[por Francisco Mahfuz] 23:08
não sou mais que meu bilhão de olhos negrosAcabo de adicionar mais esse poeta maldito aos companheiros de blog.Vísceras e blasfêmias a gosto.
[por Francisco Mahfuz] 22:56
dream a little dream of meHoje acordei, depois de três horas mal-dormidas, preocupado com a primeira prova da minha nova vida acadêmica. Não consegui sair da cama, então coloquei o DESESPERADOR pra uns dez minutos depois. Nesse tempo, juro que sonhei POR HORAS; acordei preocupado ao menos duas vezes, olhei pro relógio e tinham se passado DOIS minutos de cada vez. Hmm. Intrigante. E se fosse possível controlar os sonhos? Imagine que coisa extremamente boa poder passar dentro da sua cabeça fazendo de tudo por um tempão, e não perder tempo nenhum por isso. Acho que seria trimmmassa.Começarei meu treinamento logo que não tiver mais tanta vontade de dormir profundamente.
[por Francisco Mahfuz] 22:10
quando tu me lembra que eu ainda existoMinhas palavras saem de casa só pra te machucar. Escapam quarto afora, pisam naquela almofada que ficava sempre pelo chão e botam a porta abaixo. Sem desvios, sem negaceios, sem fingimentos. Te jogo pedras pra quebrar teus ossos, destruir esse rosto de anjo que a tantos ilude, te tornar o monstro deformado que a tua alma pode às vezes ser. Te meto a faca, sem dó, direto no coração, mas pra quê? Ele é frio como o aço, aço que vai expulsar do teu corpo todo esse encanto que nunca me enganou, que sempre me enganou, pelo qual morreria e agora quero te matar. Não tenho pena, nem um pouco, por que teria, tu teve alguma? Tu já sentiu alguma vez o que é quando nada mais é, tudo foi? Te vejo na rua e passo com o carro por cima, volto, acelero, vou de novo. Te deixo em migalhas, em pedaços, em destroços, todos belos, todos tu. Cuspo na tua cara com nojo, ódio, desprezo, pensa aí em qualquer coisa ruim, não, pior, ainda não é o bastante, eu te digo quando chega. Grito com o meu silêncio mais agressivo, mais absurdo, te estouro os tímpanos de tanto vazio. Escrevo obscenidades, xingamentos, maldições, procuro nos dicionários, tu me fez criar um novo léxico só pra te magoar. Não tenho mais armas, acabou a munição, minhas mãos, dentes e unhas vão ter que ser o suficiente. Te mordo, rasgo, mastigo e cuspo fora, como um osso que não merece o cachorro.Só pra ver se tu não me esquece.
[por Francisco Mahfuz] 06:34
não me diga com quem está ou eu não sei mais quem eu souRolou hoje o Pocket, lá no Zelig. Pra quem não conhece, é algo como o Sarau Elétrico do Ocidente, mas bem mais informal, mais participação do pessoal que aparece - e acompanhamentos musicais, que fazem uma grande diferença.Valeu particularmente por conhecer pessoalmente gentes que eu só conhecia pelos blogs da vida - além de leituras inspiradas, que até suscitaram a criação de gírias que logo estarão bombando por aí. Essa noite, sem dúvida alguma, SOÇOBROU.
[por Francisco Mahfuz] 05:52
mantra de ilusãoAs músicas mais engraçadas do mundo.
[por Francisco Mahfuz] 05:47
11.6.03 jesus christ poseTá. Eu só queria saber porque alguém simplesmente deixar a barba crescer torna-se um assunto tão importante. É SÓ CABELO NA CARA, pô. Não parece tão mais lógico que, na medida em que a grande maioria dos homens acha chato ficar se barbeando toda hora, eles simplesmente parem? Ainda mais porque uma quantidade apreciável de MOÇAS encoraja o cultivo dum PELEGO FACIAL.Não barbearei.
[por Francisco Mahfuz] 23:55
nunca entendi por que o caminhão era o chefeMais um filme de coisas que eu via quando piá. Legal.
[por Francisco Mahfuz] 23:47
ego tripping at the gates of hellDepois daquele momento de auto-crítica ali embaixo, fiquei pensando no porquê de fazer isso (escrever um blog). Me perguntaram esses dias, e eu tentei balbuciar alguma resposta - isso aqui é a minha tentativa de explicação.Escrevo porque tenho coisas a dizer em horas que ninguém está por perto; escrevo porque não tenho ninguém por perto. Às vezes acho que preciso colocar certas coisas no "papel", tornar certas opiniões mais definitivas, pelo menos até que eu as desminta. Não tenho a pretensão de me achar necessário, divertido, que o que eu faço aqui é pros outros. Não é. É simplesmente uma maneira de expressar o que eu não gostaria de ver desaparecer sem rastro. Ou talvez seja só algo para o qual um dia eu vou olhar e agradecer por ter aprendido com meus erros.
[por Francisco Mahfuz] 05:45
de coisas que só me interessamComeço, a partir da edição do último post, a aposentar os meus vícios de digitação - estou voltando ao uso das maiúsculas. Espero que a leitura torne-se, assim, um pouco mais agradável.
[por Francisco Mahfuz] 05:29
10.6.03 ler é fodaMas exatamente quanto da vida ela estaria disposta a sacrificar com um trabalho que a fazia se sentir humilhada, conviver com gente que ela não suportava, passar semanas inteiras dormindo mal? Todos os sonhos dela estavam marcados pra dali a três, cinco, dez anos. Nenhum deles valia pra agora, pro dia em questão. Me causava agonia ver alguém se preparando constantemente pra começar a viver.Certos livros são difíceis, amargos, têm que ser lentamente digeridos - como cerveja; Até o dia em que o cão morreu, o novo livro de Daniel Galera, é um copo sujo de cachaça que desce rápido, muito rápido, mas vai queimando e causa calafrios que custam a passar. A história de um recém-formando de Letras que decidiu não dar rumo nenhum à sua vida, deixá-la seguir um caminho sem sobressaltos, sem interferências, é o tema central aqui. Poucas personagens, poucos acontecimentos e raros pontos propulsores constituem uma trama que ainda assim é visceral, tem pegada, não te deixa largar o livro. Eu tentei. Preocupado com outras coisas, deixei-o de lado. Não demorou muito pra que ele latisse pra mim, aquele latido de cão vadio que é impossível de ignorar. Assim como as divagações do protagonista, que atingem vários nervos de uma geração meio perdida entre seus desejos e necessidades. E o final, que muitos consideraram otimista demais, redentor até, pareceu-me simplesmente perfeito, abandonando o leitor na dúvida entre rir sozinho ou xingar o autor. Ler é foda mesmo.
[por Francisco Mahfuz] 21:33
9.6.03 de coisas que nunca deveriam ser ditasEle nunca teve amigas. Mulheres não eram exatamente pra isso, não precisava delas pra isso. Até conhecer ela. Quer dizer, até realmente conhecer ela. Tinham sido colegas de muito tempo, essas convivências que nunca saem da superfície. Sempre achou-a linda, assustadoramente linda - e sentia-se pequeno, raso, ordinário, insuficiente. Talvez por isso nunca a tenha desejado como todos outros faziam, como todos os outros deveriam. Talvez. Ou talvez fosse isso que preferira pensar.O tempo desatou nós que nunca foram firmes, e por muito não se viram. Ele cresceu, mudou, bem mais aos olhos dos outros do que aos seus próprios. Aprendeu a parecer maior, mais forte, mesmo quando estava desmoronando por dentro. Numa dessas esquinas que nunca imaginavam dobrar, se encontraram. E tudo foi igual, e ao mesmo tempo tão diferente; conversavam muito, demais, de tudo, de nada, como os velhos amigos que nunca foram. E ele estava encantado, porque ela havia mudado simplesmente por não mudar; ainda era tudo aquilo que uma vez lhe deu calafrios. Sim, porque ele nunca admitiria pra ela, quanto mais pra si mesmo, todas as noites solitárias em que treinou para não mais se importar. E numa dessas conversas, falou que ela era tudo que ele poderia querer, mas que não a queria. Era mais fácil assim, era mais fácil criar uma ilusão - que já estava sendo repetida na sua alma por tanto tempo que só lhe restava acreditar. Ela não gostou, ressentiu-se daquilo tudo, talvez porque estava acostumada a sentir-se querida, pretendida. Talvez. Ou talvez porque ele assim lhe fechasse uma porta pela qual um dia ela poderia querer passar. Mas tornaram-se amigos, e dessa vez foram fundo. Conversavam, bebiam, sorriam, choravam, sempre juntos, sempre. Ela cada vez mais maravilhosa, ele cada vez mais indiferente. E os lábios dela brilhavam mais, seus decotes revelavam mais, e seus esforços tinham cada vez menos impacto; não lhe satisfazia ser só a pessoa mais importante na vida dele, precisava ser a mais desejada também. E iam inseparáveis, tudo que ele nunca imaginou possível acontecendo. Aos poucos ela foi desistindo de atraí-lo, talvez porque não era o que ela realmente queria, talvez porque nem lembrasse mais o motivo daquilo - ou ainda por ser simplesmente inútil. E assim foi, ela cada vez mais natural, solta, mais ela. Se viam bem, mal, contagiantes, contagiosos, dormindo e acordando - às vezes inocentemente juntos, às vezes com outras pessoas, sem que isso mudasse nada. E foi num dia desses, depois de um daqueles porres que ela de vez em quando tomava, que ele se deu conta; vendo-a no seu pior, desarrumada, descabelada, desacordada, ele admitiu: estava total e completamente apaixonado, como nunca estivera. Encontrou tudo que nunca soube que queria, que sempre achou não existir. Amava sua melhor amiga - e por melhores amigos que eram, sentiu-se obrigado a dizer-lhe tudo que rodopiava pela sua cabeça. Enquanto explicava que o que já havia sentido antes não era nada, que nada mais importava, foi perdendo-a aos poucos; quando tentou, por simplesmente não mais resistir, beijar aqueles lábios que por muito tempo foram nada mais que lábios, ela se afastou, dele e da vida que construíram juntos. Ele nunca mais teve amigas.
[por Francisco Mahfuz] 23:22
a bengala é minha vergonhaas pessoas são muito mal-educadas, insensíveis, egoístas e frias, especialmente com quem não conhecem; é impossível ser bondoso, gentil ou esforçar-se pra ajudar alguém; certo? sim, até que tu tenha algum problema físico inconfundível - eu uso muletas, e isso já basta.na rua, carros desaceleram, cobradOres de ônibus giram a roleta por ti (além de que todo mundo te cede o lugar) e os pedestres ficam de lado até que tu passe. indoors, carregam as tuas coisas, te oferecem todo tipo de ajuda e constantemente cuidam pra que tudo esteja de acordo com as tuas necessidades (ou o que eles acham serem as tuas necessidades). venho experimentando isso há alguns dias e já estou meio de saco cheio - consigo, de maneira ínfima, entender quem realmente é deficiente e cansa-se de ser tratado como tal; a sensação de ser considerado incapaz incomoda, e não é pouco. importante deixar bem claro que eu agradeço sinceramente todos que me ajudaram nesse interregno, especialmente porque algumas vezes eu realmente precisei. a minha bronca é essa bondade e educação que subitamente aparecem em certas pessoas, e tem um gosto intragável de hipocrisia. por que não podemos ser sempre assim? se eu preciso de uma carona, ou de uma mão com algo que eu não consigo normalmente fazer, por que só me oferecer ajuda quando eu sofri um acidente e não posso caminhar? sei lá, parece às vezes que temos que guardar o que temos de bom, como se tivéssemos uma cota de solidariedade pra distribuir e não pudéssemos desperdiçar. talvez a vida fosse melhor se todos usassem muletas.
[por Francisco Mahfuz] 21:41
7.6.03 when the blood callsNa próxima terça, o SARAU ELÉTRICO investiga a presença do CÃO na literatura - de Edmund Wilson a Graciliano Ramos, passando pelo convidado especial da noite, DANIEL GALERA, que acaba de lançar o livro "Até o dia em que o cão morreu".Com o time completo - LUIS AUGUSTO FISCHER, FRANK JORGE, CLAUDIO MORENO e KATIA SUMAN - e ainda canja da BLANCHED. SARAU ELÉTRICO - CÃO - TERÇA 10.06.03 - OCIDENTE 9 DA NOITE - 5 PILAS baita dica, que eu já tinha recebido do homenageado em questão. sinto-me obrigado a ir até pelo caráter FAMILIAR do assunto.
[por Francisco Mahfuz] 20:07
morrerei pelos teus pecadoshospital é uma coisa engraçada. se tu conseguir esquecer tudo de ruim que acontece por ali, tu vai notar como certas coisas são cômicas.estava eu alguns dias atrás ali no glorioso Mãe de Deus, esperando a minha hora de entrar na faca. óbvio que aquele pedido pra chegar com uma hora de antecedência era hoax, já que eu só fui ser atendido pouco menos de 10 minutos antes do que estava marcado. passei por umas portas tecnologicamente superiores (maçaneta é pra otário) e fui recepcionado por uma enfermeira gente-boa (mas não gostosa, o que já contrariava um dos poucos motivos de QUERER ir ao hospital), que me deu um saco de roupas pra me trocar. como são ridículas aquelas vestes; tu coloca umas tocas de BRUXA DO 71 nos pés e na cabeça, e TENTA vestir o... (não tenho nehuma idéia do nome certo - avental, talvez?); sei que quando parece que está tudo errado, que aquilo não pode ser tão grosse, é - já desisti de entender a lógica por trás desses trecos. 1° clichê: a enfermeira chama "Francisco", um outro cara levanta (que obviamente se confundiu porque o meu nome é quase idêntico a "Endenoir") e aí rola aquela confusão de fichas, ela não sabendo o que era de quem, o outro brabo porque ainda teria que esperar e eu pensando que se alguém algum dia teve cara de que estava pra fazer uma VASECTOMIA era aquela figura ali. já dentro da sala, deito numa maca ultra-confortável, e sou assediado por várias pessoas, fingindo estarem interessadas em minha pessoa enquanto claramente só estão a esperar o anestesista. o tal chega, e começa a função; devo admitir que a parte mais intensa da minha fase ECLESIÁSTICA já passou, mas me segurei muito pra não rir quando me colocaram em posição de JESUS NA CRUZ pra aplicar o sedativo. 2° clichê: antes de fazer naninha, escutei os dois profissionais da saúde que me atendiam discutir vividamente um CHURRASCO de algumas noites atrás, e os planos para um vindouro. quando estruturavam pra que time jogariam os traumatologistas (aparentemente MACHADEIROS DE CANELAS) eu suavemente saí desse plano de consciência. acordo umas quatro horas depois, TODOFILHADAPUTA, e achando que meu plano de saúde não cobria um quarto - o lugar em que me encontro parece uma esquina da secretaria. aí outra enfermeira (TAMBÉM não-gostosa) me paparica um pouco, eu finjo que entendo as perguntas enquanto ela finje que entende as respostas, e ela me diz que eu preciso atestar que a anestesia não teve efeitos colaterais dando uma... ahn... tirando água do joelho (trocadilho involuntariamente infame). claro que eu tenho que fazer isso DEITADO, o que morrerei dizendo que é FISICAMENTE impossível. depois de algumas tentativas, convenço ela que consigo caminhar até o banheiro e dou por finda a minha experiência hospitalar. chegando em casa, já em melhor estado, sou informado da existência de um VÍDEO documentando a cirurgia - que obviamente assisti. tá ligado num PUDIM? aquele branquinho, que não tem gosto de nada? imagina um de três camadas, e um instrumento cirúrgico que lembra uma RETROESCAVADEIRA dando aquela podada no troço. depois de alguns minutos entre o fascínio pela capacidade da medicina moderna, o nojo por ser o MEU JOELHO e o receio de estarem tirando coisa demais dali, acabei pegando no sono. só na manhã seguinte fui olhar para o OPERADO em questão, inchado como barriga de bêbado, e decidi: darei incentivos financeiros a qualquer projeto de pesquisa que envolva CIRURGIA SEM DEPILAÇÃO.
[por Francisco Mahfuz] 19:03
tosconline strikes backdeu.depois de muito zen-budismo, empirismo tosco e copy and paste, ajeitei essa chonga. sozinho, sem nenhuma ajuda. essa sensação estranha que me toma será que é... orgulho??
[por Francisco Mahfuz] 05:47
6.6.03 tosconlinequem andou por aqui hoje à tarde deve ter visto as barberagens que fiz com o site; mas finalmente consegui adicionar alguns links, meio que na base da grossidão completa. por falta de maior conhecimento (entenda-se "nenhum conhecimento") de html, eles tão lá embaixo, junto dos arquivos e do contador. se alguém me ensinar caridosamente como colocá-los aqui em cima, na lateral (como pessoas normais fazem), serei muito agradecido.ps: qualquer link errado que for percebido, favor informar. grazie.
[por Francisco Mahfuz] 20:49
5.6.03 por tutatis!![]() Um novo álbum do gaulês mais popular do mundo será lançado na França ainda este ano. Astérix et la rentrée gauloise (algo como "Asterix e o regresso gaulês") será uma coletânea de todas as histórias curtas do herói. Desta forma, serão incluídas as histórias curtas feitas por Goscinny e Uderzo nos anos 60 e 70, aventuras mais recentes produzidas apenas por Uderzo como as quatro páginas de La naissance d'Astérix, que mostram o nascimento de Asterix e Obelix, e numerosas ilustrações inéditas exclusivas. poucos gibis são tão universalmente adorados como esse - e com absoluta razão. quando era piá, devorei todos; aguardarei esse aí ansiosamente.
[por Francisco Mahfuz] 22:16
já pra cozinha!Um estudo realizado por pesquisadores chineses e australianos concluiu que lavar pratos pode diminuir o risco de câncer de ovário. Os resultados da pesquisa foram publicados esta semana pelo International Journal of Cancer.estudos a serem concluídos sobre cozinhar, limpar e buscar cerveja servirão de confirmação de que os homens nunca foram machistas; só estávamos PRESERVANDO a saúde das mulheres. heh.
[por Francisco Mahfuz] 21:37
hein?David,the POA can all be granted to the same person in Brazil, it is entirely up to AES. AES should decide whether or not to empower one or more persons in Brazil. Att., Cristiane
[por Francisco Mahfuz] 19:11
ignorância é fodaTreino de pitbulls em ErechimPolícia ambiental vai denunciar ao Ministério Público criadores que fazem cães puxarem carros como treinamento para competições vi essa notícia hoje em alguns jornais online, e depois no Jornal do Almoço; o detalhe é que a abordagem foi como se os donos estivessem maltratando os bichos, como se isso fosse uma coisa cruel e sacana (a cara de nojo da apresentadora, aquela mulher do Falcão, foi o pior de tudo). o problema é que ninguém sabe nada desses animais; é uma espécie diferenciada, especialmente na parte física. não dá pra passear em volta da quadra e achar que isso é um baita exercício. agora, 1° opção: os cães estavam sendo treinados pra participar de uma competição tipo Game Dog (link podre, mas dá pra ter uma idéia), e aí tudo certinho, e a matéria foi mais uma das inúmeras coisas preconceituosas ditas sobre essa raça (que causaram a sua quase proibição no Brasil) 2° opção: eles tavam sendo treinados pra rinha (pouco provável, não se faz treino de tração nesses casos), aí acho que tem que PEGAR ESSES DONOS FILHOSDAPUTA E MATAR mas se informar um pouco mais antes de sair julgando não seria uma má idéia.
[por Francisco Mahfuz] 18:12
4.6.03 mi madre es actriz de cine porno
tu tem que ver as outras fotos... agora tu deve estar achando que eu vou falar uma baixaria qualquer, né? bom, essa é a mesma idéia (errônea) que passam o trailer e o nome de Lúcia y El Sexo, filme espanhol que concorreu a vários prêmios Goya (o Oscar deles).
não vou mentir: o filme, seguindo um certo liberalismo europeu, tem VÁRIAS cenas de nudez e BASTANTE sexo, e algumas cenas são BEM fortes (sim, genitálias masculinas aparecem). mas seria um erro considerar esse só um "filme de sacanagem"; o sexo é importante na construção do enredo e das personagens, definindo algumas delas de uma maneira que não seria de outra forma possível. mas o filme é bem mais do que isso; a história é densa, pesada até, e muito bem escrita. aquele artifício de dividir tudo em vários momentos cronológicos e apresentá-los sem ordem específica, e ir entrelaçando as personagens (às vezes literalmente...) até o final funciona à perfeição aqui. de brinde, paisagens lindas da ilha de Formentera, atuações excelentes, e a chance de ver a gracinha Paz Vega crescendo UMA BARBARIDADE em cena a cada minuto. recomendo.
[por Francisco Mahfuz] 21:46
sometimes i ask myself the same questionsAre you asleep, are you in a dream?The copper shades of a morning Distant lights beckon & fade Unwritten songs of another day I fear that you would never be Every song in the world for me I took your hand, led you astray You cursed the worlds I longed to save Is heaven to you a perfect place? The look of sorrow on a sufferer's face? A field of lives to sow and reap That some of us will never see Why is it I don't feel the same? Are my longings to be blamed For not seeing heaven like you would see; Why is a song a world for me? What is forgiveness? It's just a dream. What is forgiveness? It's everything. ...And You Will Know Us By The Trail Of Dead - "Another Morning Stoner"
[por Francisco Mahfuz] 05:18
the lost art of embarassing yourselfacabo de voltar de mais uma Chinelagem, o evento que resume o jeito Fabico de ser. o trabalho impediu-me de privilegiar a festa desde seu princípio, mas quando cheguei já bombava algum LIXO no som - cortesia de Bituca, o psicossodomita. é bom rever pessoas que ficaram pra trás na tua vida - não dá pra largar uma "faculdade" (heh) sem sofrer nenhuma perda. but i digress. o mágico desse acontecimento é ver a capacidade de PAGAR O VALE com prazer e dedicação que certas pessoas (dentre as quais o que vos fala) demonstram em toda oportunidade possível. deve ser algum elemento químico no nosso cérebro que manda a NOÇÃO pro espaço aos primeiros acordes de qualquer música dos anos 80 (que normalmente fingimos odiar) - mas pelo menos a friaca impediu o desprezível espetáculo de pessoas sem camisa se esfregando agarradas às grades da janela.baita noite. e olha que nem foi dessa vez a premiére mundial do McSargento.
[por Francisco Mahfuz] 05:03
3.6.03 pitter patter goes my heartO que faz uma mulher ser bonita? essa foi a lebre levantada pelo Eduf no blog dele. não acho que seja uma questão simples, mas meterei o meu bedelho e tentarei dizer algo que presta.pra começar, acho que beleza não é a chave desse mistério. PERAÍ, RAPÁ, não tô dizendo que canhão é o artigo. só estou querendo dizer que não são simplesmente características físicas que definem a atração causada por uma mulher. mas já que falar disso é inevitável... me agradam muito moças que puxam para um lado mais "alternativo" (na medida que esse termo ainda signifique alguma coisa): piercings (especialmente nas CARTILAGENS), tatuagens (delicadas e plurais, se possível) e aquela jeito mais desenho japonês de ser (roupas coloridas ajudam bastante). certos adereços hippies também têm seu valor, como aquelas batas cheias de motivos indianos. uma cor JAMBO (natural ou bronzeado, tanto faz) é outro grande atrativo. tranças - nada POCAHONTAS, mas umas três ou quatro, só pra dar aquele ar TRIBAL. e cabelos na altura do ombro, no mínimo (sei lá o porquê). por razões que nunca dediquei-me a desvendar, garotas muito arrumadinhas não me fazem bem à vista. não vejo grandes diferenças em altura, talvez simplesmente porque dificilmente alguma guria será mais alta que eu - mas, estranhamente, pareço tender a me envolver profundamente com BAIXINHAS. e tendo tirado isso do caminho... o negócio é PERSONALIDADE. mostrar que sabe o que quer já é meio caminho andado; precisa ainda ter RECHEIO: idéias, gostos próprios, e vontade de discutí-los. não basta ser DANADA, tem que te fazer pensar, refletir, te acrescentar alguma coisa - não ser SÓ uma companhia divertida. outra coisa que exerce um certo efeito devastador em mim é MEIGUICE; aquele jeitinho de menininha doce é... it gets me everytime, what can i say? mas aí já é preferência pessoal, não acho que isso seja condição sine qua non nesse caso. e gostar de cerveja, obviamente, evita problemas sérios. e tudo isso junto acaba produzindo o que causa aquele efeito BOW YOUR HEAD: PRESENÇA; tem gurias que chegam num lugar, não fazem nada e ainda assim TOCAM O HORROR. tu sabe como é, não preciso me alongar. mas é óbvio que eu não entendo nada de mulher, então não devia nem tá me arriscando. heh. ps: para outras opiniões no assunto, os posts do Daniel, do Träsel e do Galera.
[por Francisco Mahfuz] 04:41
2.6.03 demorôHarrison Ford foi agraciado no sábado passado com uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.gostaria de saber exatamente qual o critério pra receber uma dessas; já vi cada figurinha SAMBANDO naquele concreto e o Indiana aí só agora leva a dele. e, por falar em Indiana, parece que vai rolar mais um filme do MAGRÃO DE CHICOTE pelos idos de 2005. verei.
[por Francisco Mahfuz] 22:12
baseado em fatos (talvez) reaisUma, duas, três. Três baratas subiram correndo pela parede do quarto sujo. Depois de uma odisséia de alguns metros desceram e circundaram a sala, procurando algo parecido com comida. Encontraram migalhas de pão perto da mesa, e ficaram por ali. Ele olhou com certo nojo, mas não fez menção de sair do sofá. Terminou o último cigarro da carteira, bebeu o resto da cerveja e, no caminho da cozinha, enxotou as baratas.Sempre passava pela multidão como se não estivesse ali, e entrava no trem. Pessoas iam e vinham, sem dirigir-lhe palavra, sem levantar os olhos. No escritório não era diferente; fazia suas tarefas o tempo todo, sem parar, sem pensar, como quem carrega folhas se preparando para um inverno rigoroso. E o chiado de vozes que nunca se referiam a ele era interminável. As duas baratas passaram por debaixo de seus pés e foram em direção à janela. Pararam no basculante, chiaram uma com a outra e mexeram suas antenas curiosamente. Ele olhou indiferente às migalhas no chão (que diabos, eu não ia limpar mesmo). Acendeu um cigarro, pegou uma cerveja que já começava a esquentar e ficou com o olhar meio perdido entre a parede e a televisão ligada (desde quando estava ligada?). Sempre andava pelos bares sem destino específico, sem motivo específico. Sentava em qualquer um (que diferença fazia mesmo?); entre cervejas, cigarros, resmungos a cada esbarrão e monossílabos direcionados ao garçom, desperdiçava algumas horas - até o silêncio tornar-se ensurdecedor. A barata perambulava sobre a mesa, praticamente dividindo a refeição com ele, que fazia algum esforço pra fingir que ainda se importava. Ela dançou sua incompreensível coreografia, e ficou por ali. Ele quase podia jurar que estava sendo observado enquanto comia e bebia uma das suas últimas cervejas. O cinzeiro estava muito longe, por isso batia o cigarro em cima do telefone que nunca tocava (e por que tocaria?). Nunca pensava na sua família. Não pensava em ninguém, pra falar a verdade. Havia mais alguém? Lembranças tinham tornado-se sombras há tanto tempo que não existia mais como jogar luz nesse pedaço da sua vida. Nem lembrava mais de ter esquecido. As migalhas estavam espalhadas há pelo menos uma semana - ele mesmo as havia espalhado, meio envergonhado, quando a última barata desapareceu. Não voltou ao escritório (mas o telefone continuou mudo). O chiado da televisão estragada era o único som que escutava, além da inércia da sua própria respiração. A cerveja tinha acabado, há algum tempo, assim como os cigarros. Não saía mais de casa (e por que sairia?). Foi encontrado no sofá, imóvel, meses depois. Quando o senhorio foi verificar reclamações de outros moradores sobre um cheiro desagradável vindo do apartamento, só latas amassadas de cerveja e cinzas de cigarro serviam de prova de que alguém havia vivido ali - alguém além das três baratas que se divertiam com as migalhas estranhamente espalhadas por todo lugar.
[por Francisco Mahfuz] 17:10
1.6.03 a vergonha é minha bengalasempre que começo a falar de cultura, acabo tropeçando numa limitação que vem me incomodando num crescendo considerável: filmes que não vi e livros que não li.não sei exatamente quando ou por que parei de ler no ritmo frenético que lia quando era piá, mas é fato que nunca passei perto de muitos livros que eu mesmo considero obrigatórios. ao menos esse problema será resolvido (mesmo que parcialmente) pelas maravilhosas obrigações que o curso de Letras me impõe. o caso do cinema é um pouco mais claro: no momento que priorizei trabalhar feito um cachorro (meio redundante isso, mas...) e economizar todo dinheiro que me fosse possível, o tempo e os recursos necessários para admirar a 7° arte tornaram-se escassos. talvez por um tempo esse problema não tenha parecido tão claro porque não existia nenhuma pressão em meus ombros além da quase insustentável VERGONHA, mas agora fatores aliam-se pra me jogar lixo na cara: um irmão DEBILÓIDE por cinema ("tu viu aquele efeito de sombra??"), pessoas interessantíssimas (leia-se "mulheres") que me indicam películas e cobram minha opinião, amigos que admiram o lado mais artê do troço e uma DESLUMBRANTE videoteca da faculdade que cobra UM PILA por locações de vários dias. e eu gosto de cinema. BASTANTE. mas aparentemente sempre acho uma desculpa pra não assistir o que eu deveria. pra dar uma idéia da ópera que isso virou, o meu irmão possui essa OBRA-PRIMA em casa e eu ainda não vi. ontem me irritei, botei o dvd no aparelho e... acabei desistindo após dez minutos e algum sangue derramado por encontrar-me quase em COMA, devido ao acúmulo de noites mal-dormidas. então, antes que alguém se adiante e comente isso, eu mesmo declaro: I SUCK.
[por Francisco Mahfuz] 21:13
time is never enoughEdward Norton é Monty Brogan, um traficante condenado a passar seus próximos sete anos na prisão. O filme se passa durante as suas últimas 24 horas em liberdade, em que ele tenta entender e se reconciliar com o seu passado, para que possa sonhar com um futuro. apesar de muita gente boa no elenco, e de um baita diretor, não tenho escutado coisas boas desse filme. pretendo, ainda assim, ver por mim mesmo. (o pôster tá linkado, em caso de interesse maior)
[por Francisco Mahfuz] 20:54
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