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31.7.03

eles são pop


Galera (à esq.) e Pelizzaro: "A internet
foi um bom começo", diz Galera


Encerrado no fatídico 11 de setembro de 2001, o e-zine Cardoso On Line mostrou a milhares de internautas a literatura de oito amigos de Porto Alegre. Daniel Galera, 24, e Daniel Pelizzaro, 29, que faziam parte do grupo, montaram na época a editora Livros do Mal para publicarem seus livros. O e-zine tornou-os mais conhecidos e acostumados a "dar a cara à tapa" com a literatura. "A internet foi um bom começo. Mas são poucas as coisas boas que achamos na rede", diz Galera, que publicou o livro de contos Dentes Guardados e lança Até o Dia em Que o Cão Morreu dia 30, em São Paulo.


Isto saiu esses dias na ISTOÉ GENTE - reparem na interessante grafia do nome do Mojo. Heh.

O resto da matéria aqui.

ps: Agradecimentos ao cara que comentou no blog do Bruno e não se identificou.

[por Francisco Mahfuz] 21:31

o papa ainda é pop?

Depois de ler isso, fiquei pensando que a Igreja Católica está no rumo certo.

Lembram quando aquela história de ser contra a camisinha chocou todo mundo? Bom, eu apóio essas atitudes. Apóio essa mentalidade tacanha, caolha, que insiste em negar a realidade em que vivemos. Isso ao menos demonstra alguma convicção. Não é a Bíblia Sagrada, além de concorrente do Paulho Coelho nas livrarias, a base dessa religião? Deus não tem que ser amado e temido acima de todas as outras coisas? Bom, o livro dele conta com vários absurdos, incluindo a pena de morte; como pode ser pedido que os fiéis acreditem sem hesitar se os seus fundamentos, seus dogmas, estão sendo ADAPTADOS toda hora, e por simples homens, falhos como nós, pecadores? Quer dizer que Ele estava errado antes? Eu acho que não. Tudo deve ser feito como previsto inicialmente.

Quando começarem a se dar conta das barbaridades que estão sendo cometidas (além de todas JÁ cometidas no passado), de repente ficará claro que o Papa é só um velho senil que não tem mais nada de útil a dizer, assim como toda essa instituição corrupta que ele representa.

Amém.

ps: Que fique entendido que acho que os ideais de bondade, amor e essas coisas, especialmente o que veio direto do JC, são apreciáveis. Só o resto todo que é uma merda.

[por Francisco Mahfuz] 19:29

tarde de domingo

Ô vagabundu, acorda aê!!

Hân?

Tá na hora, vamu lá, vamu lá!!

Tô indo, güenta só um minutu qui eu vô ali jogá uma água na cara, inda tô me sentindu um lixu.

Porra, tu ainda tá desgraçadu di ontem? Qui trago fiadaputa aqueli, hein? Mas ti agiliza, senão vai dá merda.

Tá, mas vai mi falando comu tá tudu; tipo, a gurizada já tá pronta i tal?

Naquelas, véiu. Uma cambada já tá lá na central, com as bandeira i tudu, mas falta uns trecu ainda. Achu qui na hora que a genti chegá elis vão tê conseguidu tudu. Mas nem ti esquenta, só méxi essa bunda, caralhu.

Prontu. Vamu saí fora.

Caminha rápido, porra, tá na hora, já dissi. Olha lá o nossu, córri, merda!

Qui bosta, inda não tô bem, vô porquiá certu, não dá pra pegá otru??

Calaboca i córri ou eu vô ti dexá aqui, caralhu!

Tá tá calma meu, eli tá parando, viu a genti corrê, mas eu tô zeradu, eli vai encrencá.

Nem fala nada, só vai passandu, vô pulá, vem no embalu.

Caceti, minha bermuda prendeu, peraê, deu.

Viu, ti falei. Eli tá olhandu meio tortu, mas tomá no cu também, qui diferença faz?

Tu lembrô di pegá u tragu?

Sim, tá aqui na mochila. É uma droga, mas bébi aê.

Puta qui pariu, que merda é essa? Parece álcool de cozinha!

Não reclama, foi u qui deu pra comprá com a grana qui eu tinha. Dá issu pra cá qui essa parada é a nossa. Ih, já tem uma cabeçada aí na frente. Vamu entrá logu, a genti acha o restu lá dentro.

Não vão te atucaná por causa da garrafa?

Nah, vô botá dentru dessi tambor aqui.

Então tá.

Aham.

A galera tá ali já, vamu si sentá logu qui eu quero fumá um.

Beleza, eu ti façu uma paredi enquanto tu cocha.

Já tá prontu, fiz ontem di noite, é só fumá.

Aqueles véiu ali vão reclamá certu.

Pau nu cu delis, eu não reclamu dessas merda di charutu elis não abrem a boca pra falá di mim.

Acendeu? Mi dá logu uns pega.

Peraê, qui merda é aquela fumacêra du otru ladu?

Porra, jogaram um fogueti nus merda! E olha lá, os desgraçadu tão pulandu i vindo pra cá! Vamu tê qui caí dentru!

Dêxa elis vim, vão tomá um pau!

Ô seu viadinhu, vai reclamá muito?? Vem cá qui ti cagu de porrada!

Caralhu, a porcaiada já tá descendu, vamu saí fora!

Já fecharam u corredor, merda, não vai dá pra escapá, melhor sentá e ficá na boa... Eu não fiz nada não fiz merda sériu eu tava só aqui olhandu não veiu daqui ai seu bosta pára caralhu eu não fiz nada!!

Tu não podi fazê issu eu sô inocenti sei qui tenhu meus direitus pára ai ai na cara não porra ahhh minha boca merda deu pur favor pur favor pára!!!

Ei ondi tu tá mi levandu tu não podi fazer isso meu pai é adivogadu tu vai ver sériu mi dêxa ir eu não fiz porra nenhuma!

Tá a genti sai pára di torcer meu braçu caralhu issu tá doendu meu pára mesmu minha boca tá sangrandu eu juru qui não voltu mi dêxa...

Ué, por que elis largaram a genti??

Olha ondi a genti tá caralhu, já tamu fora i não vai dá pra voltá. A minha boca tá uma merda, dá pra vê alguma coisa?

Tu ti fudeu meu, um denti quebrô afu.

Merda. Vô pra casa dá um jeitu nisso, tu vai tentá entrá di novu?

Aham. Ti vejo depois, cara? Na semana têm os argentinu, não esquéci.

E perdê a diversão toda? Nem a pau, vô certu. Tu passa lá em casa?

Podicrê. Té lá então.

Té.

[por Francisco Mahfuz] 17:37

30.7.03

god bless america

Acabo de receber isso do MEU CONSULADO - aparentemente sou um alvo agora.

=======BEGIN QUOTED TEXT========

PUBLIC ANNOUNCEMENT
U.S. DEPARTMENT OF STATE
Office of the Spokesman

This information is current as of today, Wed Jul 30 08:03:56 2003.
WORLDWIDE CAUTION
July 29, 2003

This supersedes the Worldwide Caution dated April 21, 2003. It is being issued to remind U.S. citizens of the continuing threat of terrorist actions that may target U.S. citizens and to update these potential threats. The U.S. Government remains deeply concerned about the security of U.S. citizens overseas. U.S. citizens are cautioned to maintain a high level of vigilance, to remain alert and to take appropriate steps to increase their security awareness. This Worldwide Caution expires on January 26, 2004.

Tensions remaining from the recent events in Iraq may increase the potential threat to U.S. citizens and interests abroad, by terrorist and other groups. Terrorist actions may include, but are not limited to, suicide operations, hijackings, bombings or kidnappings. These may also involve commercial aircraft. Other potential threats include conventional weapons, such as explosive devices, or non-conventional weapons, such as chemical or biological agents. Terrorists do not distinguish between official and civilian targets. These may include facilities where American citizens and other foreigners congregate or visit, including residential areas, clubs, restaurants, places of worship, schools, hotels, outdoor recreation events or resorts and beaches. U.S. citizens should remain in a heightened state of personal security awareness when attendance at such locations is unavoidable.

U.S. Government facilities worldwide remain at a heightened state of alert. These facilities may temporarily close or suspend public services from time to time to assess their security posture. In those instances, U.S. embassies and consulates will make every effort to provide emergency services to U.S. citizens. Americans are urged to monitor the local news and maintain contact with the nearest American embassy or consulate.

==========END QUOTED MESSAGE===========


Que beleza, hein?

[por Francisco Mahfuz] 18:23

29.7.03

master of puppets

Grande livro, esse "O Teatro de Sabbath". Fazia algum tempo que quinhentas páginas não deslizavam tão suavemente pelos meus olhos.

Esse é o tipo de leitura que me faz crer que eu, contista de merda, nunca poderei escrever um romance, ou ao menos um que envolva tantas personagens absurdamente bem descritas, analisadas e sugadas até sua essência - e atraentes exatamente por serem assim, miseravelmente humanas, podres e belas como todos nós podemos ser. Philip Roth nos brinda com a história do titereiro Mickey Sabbath, provavelmente um dos personagens mais depravados a serem concebidos na literatura moderna - só que em nenhum momento dá pra duvidar de que aquele ali não podia ser teu vizinho, ou até TEU PAI, se bobear.

A mudança constante entre o narrador em terceira pessoa e o protagonista abarcam todos os lados dessa saga em que a redenção em nenhum momento é procurada; é tornar da danação (do ponto de vista dos outros) uma rotina e um orgulho o que faz de Sabbath tão interessante. Quando tu olha pra esse abismo ele não só olha de volta como coça a barba branca e tenta te comer. O sexo, elemento que permeia o livro, é utilizado da maneira mais chocante possível: com verossimilhança. E prepare-se para um porrilhão (apud Sabbath) de cenas memoráveis e diálogos venenosos, onde o que fica mais claro é que o verdadeiro Teatro Indecente é a vida real.

Quando tiver tempo, lerei mais coisas desse cara. Façam o mesmo.

[por Francisco Mahfuz] 04:11

28.7.03

vamos fazer um sexo bizarro

Mais uma obra-prima musical do Mc Sargento.

Vai lá, ladrão.

[por Francisco Mahfuz] 23:33

apnéia

Renata abriu a gaveta empoeirada e começou a procurar alguma coisa. Fazia muito que não remexia naquilo, De repente não é uma boa idéia, mas já passou tanto tempo, não vai machucar olhar só um pouco, né? Boletins antigos, um porco de plástico meio mordido, cartas da Ingrid Uma alemã gorda que morou na minha casa por um tempo e me matava de vergonha por ir pra aula mostrando aquele suvaco peludo, uns papéis velhos, notas de cruzeiros, e aquilo. Bem no fundo, bembembem escondido, um álbum de fotografias, do tipo que dão de graça com a revelação. A capa já completamente rasgada, deixava perceber a primeira das fotos. E com esse pedacinho de imagem, a primeira lágrima foi se formando nos olhos de Renata. Foi subindo devagarinho, contornou os cílios e desabou com um barulho surpreendente ao atingir o chão. Uma gota bem gorda, foi o que ela pensou na hora. Suspirou sabendo o que ia ver e, com mãos trêmulas, virou a capa, praticamente arrancando o pouco que sobrara. Ele estava ali, bem do jeito que ela tentava não lembrar. Cabelos castanhos, olhos verdes, ombros largos, aquele jeito meio de bobo alegre, tudo conferia. Alguns segundos de observação e outras lágrimas, obesas dessa vez, rolaram rosto abaixo. Uma delas acertou o seu pé direito e encharcou completamente a meia de gatinho que ela tinha ganho de presente dele uma vez. E assim continuou: a cada foto nova, mais e mais de seu choro vinha abaixo, cada vez mais forte, cada vez mais, muito mais.

Lá pela metade do álbum, Renata notou que algumas poças se formavam pelo chão do quarto, e em alguns pedaços o tapete estava completamente ensopado. Ainda assim não conseguia parar. Viu que a próxima era de quando eles tinham ido pra Gramado Ai que lugar lindo diz que tu me ama eu amo tu sabe a gente nunca vai se separar, e aí o caldo que saía dos seus olhos engrossou. Suas roupas já estavam coladas ao corpo há muito tempo, e sentia a água bater na altura do joelho. Logo depois estavam as fotos do seu aniversário Quando a gente passou só nós em Osório tomara que seja sempre assim quem sabe em Floripa da próxima vez, e o cachorro velho da sua mãe cruzou o corredor boiando, aparentando certo desconforto por ser acordado no meio da noite. Soluçando, tremendo e chorando cada vez mais, ela continuou.

Quando o nível da água ultrapassou a sua altura ela começou a se preocupar, mais ou menos ao mesmo tempo em que o álbum escapou de suas mãos. Saiu do quarto nadando com certa dificuldade, tanto pela falta de costume quanto por ainda chorar convulsivamente. Viu sua avó pendurada no lustre da sala, e ficou com raiva de não ter pensado naquilo antes. Bateu com a cabeça no teto buscando ar e depois mergulhou. Todos os cômodos da casa estavam submersos, as paredes já mostravam algumas rachaduras, e seus pulmões ardiam. Com as pernadas mais fortes que suas pantufas de coelho permitiam, foi na direção da porta da rua. Quase desmaiando virou a chave, mas não adiantou; lembrou de dar aquele jeitinho com o ombro e depois puxar, e aí conseguiu. A água escorreu violentamente pelo corredor do edifício, levando de arrasto alguns móveis, a televisão e sua avó. Renata caiu meio de mal jeito Mas não dá nada, passo um Gelol e tudo bem.

Lentamente voltou para o quarto e rastejou atrás do álbum. Revirou tudo que ainda estava no lugar e acabou por estranhamente encontrá-lo na mesma gaveta de antes, que tinha ficado aberta. Ela riu da coincidência, tomou o maior fôlego que conseguiu, e começou a olhar o resto das fotos.

[por Francisco Mahfuz] 00:07

27.7.03

nove rainhas

Realmente muito bom esse filme, referendando as recomendações que eu já havia recebido. Inteligente, divertido e surpreendente.

Vede.

[por Francisco Mahfuz] 16:16

afterthoughts

O que fazer quando o exorcismo de demônios antigos é mais assustador que sua presença?

(ou)

Antes ficar à deriva com um farol tremulante ao alcance dos olhos do que aportar em terras desconhecidas?

(ou ainda)

Should we let go when there's nothing else to hold on to?

(ou, quem sabe, talvez)

Cada vez que toca o telefone eu penso que é você, e hoje foi. E cada vez é mais difícil, cada vez mais sei menos o que devo fazer. Ou não. Ou serve pra me mostrar que realmente não tenho mais por que chorar, mesmo que tenha chorado. E que não sei exatamente o que fazer com essa sensação que me incomoda aqui dentro, que já sei não é mais amor, ou saudade, ou qualquer outra coisa que me fizesse querer mudar a minha vida. E porque dói tão fundo então? Porque faz eu me perguntar que perguntas fazer pra que eu possa dar as respostas que sempre achei possuir? Talvez seja pois simplesmente tenho medo; medo de seguir adiante sem precisar olhar pra trás, sem ter sonhos impossíveis que tornassem todo o resto só um passatempo, um Não te preocupa que o que tu quer vem lá adiante. Todas as canções que fiz eu fiz pra ti princesa, e agora não quero pensar que tu era só mais uma camponesa que meu delírio quixotesco exaltou. Só o tempo me dirá, mas de uma coisa eu sei: depois do último adeus, eu estava sorrindo.

[por Francisco Mahfuz] 09:52

26.7.03

a redenção tá cheia de maconheiro

Que coisa boa é estranha é esse tal de mocotó, hein? Nem sei direito o que tinha dentro, mas fui comendo impulsionado pelo desafio de tentar chorar com aquela pimenta gracinha mas meia-boca. Não rolou. Tias velhas têm manias engraçadas, dava até pra sentir pena não fossem elas pessoas tão hilárias e diminutas. Penso que pode até pegar mal ficar tomando cerveja como um doente em festas de família, mas quem disse que se importar passa pela minha cabeça? Piadas com a barba, com a cara de desgraçado, nada além do normal. Uma torta de limão que dava vontade de abraçar e pedir em casamento antes de comer. Mas não me fiz de rogado e comi mesmo assim. Primas são legais, pena que nos vemos tão pouco. Primos são mais legais, especialmente quando tentam defender Pavilhão 9 como a melhor banda do Brasil. Nem tento mais defender o meu lado, é um baita desperdício de tempo. A fumaça se acumula bem mais rápido dentro de um carro fechado, o Bar do João foi fechado, sei lá, não é como se eu alguma vez tivesse ido lá. É interessante como nossos sonhos nos fazem pensar em coisas que nunca pensamos antes, ou fizemos um glorioso esforço pra esquecer. Acordei jurando que tinha ficado com ela, e tantando entender o que isso significava, o que ia mudar pra nós dois. Ainda tô tentando descobrir, mesmo depois de já ter notado que no mundo desperto nada aconteceu. Na verdade, não é como se algo disso tudo fizesse sentido, a vida faz sentido? Não posso responder com certeza as perguntas que passam pela minha cabeça mais rápido do que meus dedos trêmulos podem digitar, mas poucas coisas são tão verdadeiras como o prazer incomum de ficar completamente bêbado durante a tarde.

Desculpem por tudo isso. Dormirei agora.

[por Francisco Mahfuz] 21:08

peleia braba

Pra mim que sempre gostei de coisas com vampiros e lobisomens, esse filme deverá ser bem divertido.

[por Francisco Mahfuz] 01:32

24.7.03

273 kelvin

Júlia nunca aprendeu a ser infeliz. Todo mundo sofria por amor, trabalho, chorava e se desmanchava frente às dificuldades do cotidiano. Ela não. Tomava um banho, via um pouco de tevê e ia dormir. Pra que ficar se incomodando? Ela nunca soube fazer isso, e nem queria.

As coisas no escritório corriam bem, era um divertimento a mais. O chefe podia ser meio filho da puta às vezes, mas nada que fosse preocupante. Alguns de seus colegas a tratavam mal pelo jeito que tinha conseguido o emprego, Mas que culpa eu tenho se meu pai tem vários amigos? Tentava nem dar muita atenção, no fundo devia ser só um pouco de inveja porque ela estava conseguindo os melhores projetos. Tá certo que me formei (lentamente) numa faculdade que não era a melhor, mas depois que acabei o colégio não valia ficar esperando mais um ano só pra não pagar, né? Seu pai não se importou - ele nunca se importou de lhe pagar nada. Se fazia de difícil às vezes, tentava dar uma lição de moral, mas depois de alguns sorrisos e manhas acabava cedendo. Como os outros homens. Júlia tinha aquele jeito meigo que domina aos poucos, e não atrapalhava ser de uma beleza estonteante. Os longos cabelos loiros, a pele bronzeada e todo o resto no lugar que deveria ser eram só mais um motivo pra que suas vontades fossem sempre atendidas.

O amor é a coisa mais simples do mundo, não entendo como falam tanto, o que tem de difícil? Ela fez tudo do jeito esperado. Quando era mais nova conheceu um rapaz que a tratava bem, que agradava sua família e amigas. Assim foi mais fácil ganhar aquela liberdade que todos diziam que ela ia querer mais cedo ou mais tarde. Cansou dele, isso acontece, Se um dia quiser consigo ele de volta. Agora Júlia faz o que quer, e não quer mais do que alguém divertido pra passar o tempo. Idéias mais românticas sempre lhe pareceram muito exageradas, Só porque amo alguém tenho que chorar pela pessoa? Não choro por ninguém. A felicidade estava pra chegar a qualquer momento, ela não ia ficar se chateando por qualquer bobagem.

De vez em quando era cobrada demais por ser tão fria, não deixar nada lhe abalar. Nessas horas Júlia escutava quieta e tentava nem prestar atenção, Eu sou assim, que que eu posso fazer? Até que um dia, sentada na beirada da cama do motel, olhando para os papéis que confirmavam a promoção que achava que queria tanto, sentiu a respiração quente do namorado da vez no seu pescoço quando ele perguntou Tem como tu ser mais feliz que isso?; depois de lentamente olhar para suas roupas caras no chão, a chave do carro novo na cabeceira e o corpo nu estendido na cama, ela caminhou até o banheiro e chorou compulsivamente, pela primeira vez na sua vida.

[por Francisco Mahfuz] 21:36

deixa eu pintar o meu nariz

Tenho profunda admiração pelos palhaços de rua, esses de ônibus e sinaleira. Nunca vi um de verdade, circense, talvez porque nunca tenha ido a um circo. Mas respeito qualquer um que se disponha a vestir o que muitos consideram uma indumentária ridícula e ir lutar por causas humanitárias diante de um monte de gente que não está dando a mínima.

Por um breve período, quando ainda não conhecia a reduzida extensão da minha nobreza, eu pensei em me tornar uma dessas pessoas que se vestem de palhaço e vão visitar crianças doentes no hospital. Chegou a haver uma certa movimentação atrás das vestimentas, mas acabei engavetando esse projeto como muitas outras coisas em que já pensei. Na pouca experiência que tive paramentado já pude ter uma idéia da liberdade que dá estar tão exposto. Recomendo.

Falo sobre isso agora porque hoje foi mais um dia em que não resisti e comprei um desses cartões vendidos no ônibus, contendo uma poesia ruim tão humildemente despretensiosa que só pode ser sincera - bem ao contrário do projeto "Trocadilhos no Ônibus" que domina nosso transporte coletivo.

De repente um dia ainda volto a levar isso a sério; a propósito, alguém tem um sapato bicudo pra me vender?

[por Francisco Mahfuz] 19:52

23.7.03

marta

Nenhum palavra faz sentido agora. Nenhuma crença, nenhum deus parece te confortar. Não posso dizer que sei como te sentes. Não posso dizer que tudo vai ficar bem. Não posso dizer nada que tu queira ouvir.

Mas posso dizer que eu estou aqui pra ti.

[por Francisco Mahfuz] 01:44

22.7.03

só abaixa um pouco dos lados

Tu vê a novela das oito? Sabe a empregada que o taxista come? Saiu no jornal hoje. Olha que coisa maravilhosa. Não, sério, olha essas coxas. E essa bundinha. Olha ali, dá pra ver um pouco mais da bunda. Que coisa bem gostosa. Eu faria qualquer coisa por uma mulher assim. Essa gostosa é uma AFRONTA À BROXURA.

Barbeiros são massa.

[por Francisco Mahfuz] 23:11

eu escuto vozes

É bom quando tu vês teus preconceitos serem DEMOLIDOS. Há uns anos atrás nunca acharia que um filme em espanhol, com dois ARGENTINOS HOMOSSEXUAIS como personagens principais, pudesse ser tão bom. E não falo aqui daquela bonequice light do Almodóvar, mas de beijos e abraços nus. O pior é que funciona: o casal central é carismático, só sendo muito imbecil pra não gostar da história (inacreditavelmente verídica) por esse motivo. E que cena final apoteótica e tocante, puta que pariu.

Plata Quemada é a dica, antes que eu me esqueça.

[por Francisco Mahfuz] 04:51

21.7.03

minuano

Silveira, funcionário público exemplar, saiu de casa numa manhã de inverno. Logo que botou os pés na rua, foi derrubado por um desses ventos que vêm às vezes nessa época do ano. Segurou num poste, levantou e começou a caminhar. Algumas latas de lixo passaram do seu lado e um pedaço de xis grudou no seu casaco. Ele não precisou esfregar, a ventania deu conta disso. Lentamente foi avançando, só cuidando pra desviar dos cachorros que voavam na sua direção.

Quando a poeira e as árvores desgarradas tornaram enxergar uma tarefa ingrata, Silveira deitou no chão e começou a rastejar. Ele conseguiu evitar os gatos, mas ao menos duas crianças bateram em sua cabeça no caminho de seu vôo descontrolado. Depois de quase engasgar com um rato, chegou na parada.

Após alguns minutos e duas carroças decolando viu o ônibus se aproximar, meio tremulante. Subiu agarrado aos degraus, se desculpou com o cobrador pela falta do dinheiro que tinha escapado do seu bolso e passou por baixo da roleta. Os outros três passageiros estavam com os cintos amarrados nos bancos e pareciam tranqüilos, apesar do motorista forçar todas as marchas para continuar indo adiante. Silveira viu, com alguma preocupação, quando a vaca acertou a lateral do veículo, e lamentou que não tivesse usado seu cinto também. Bateu o cotovelo ao ser jogado janela afora, e sabia que aquilo ia doer depois na hora de digitar.

Logo que passou voando por cima do seu apartamento ele olhou o relógio e ficou um pouco chateado - pela primeira vez ia chegar atrasado no trabalho.

[por Francisco Mahfuz] 21:40

to forget is the sweetest joy one cannot remember

Dia após dia, hora após hora, suspiro após suspiro, a compreensão vem vindo devagar. Chega meio quietinha, não quer incomodar, pára ali no canto e espera a vez. Te pega quando tu tá preocupado em viver e não tem tempo de te agarrar às verdades que demorou tanto a inventar. Até que uma noite morna, cerveja gelada e lábios quentes te fazem finalmente entender: nada é para sempre.

E essas lágrimas que vão enchendo teus olhos mas se negam a cair só servem pra te provar que não há mais motivo pra chorar.

[por Francisco Mahfuz] 02:43

20.7.03

críticos são criativos

Foi essa impressão que eu tive ao ver o Hulk. Ouvi muito sobre a criatura estar perfeita ou estar um pavor de irreal (na medida que um monstro verde de 3 metros de altura pode ser real); nem uma nem outra. Tá na medida, não é motivo pra alguém gostar ou não do filme - se bem que vale ressaltar que as expressões faciais dele estão ótimas (e ele se parece bastante com o ator principal), além da patética transformação de um collant roxo numa bermuda jeans baggy. Também muito falado foi o "enfoque psicológico" da fita: esqueçam. Simplesmente não existe nenhuma psicologia profunda, por mais que tentem nos passar esse cachorro.

Mas o filme em si tem altos e baixos. O Eric Bana é muito inexpressivo, e não chega a passar a idéia de alguém contido, que não manifesta suas emoções a ponto de mais cedo ou mais tarde tornar uma explosão inevitável - ele simplesmente não faz o ponto pivotal da transformação ser crível. A Jennifer Connely é de uma graça radiante, mas desaparece aos poucos de cena - mais ou menos à medida que a história vira um gibi dos piores, com energias cósmicas e diálogos aparentemente vindo do nada. As cenas em que o Hulk aparece são boas, mas acho foi muito pouco explorada a idéia dele ser como um animal, sem maldade, que só lutava quando provocado - no mínimo a cena dele destruindo várias coisas e depois brincando com um cuzco guaipeca tinha que ter sido usada, porque essa transmitia excepcionalmente bem o que era a essência da personagem.

Muita gente gostou, mas eu achei particularmente irritante e desnecessária a utilização de uma estética de HQ, com páginas virando e vários quadros ao mesmo tempo. Pura punhetagem do diretor, aclamado pelo overrated Tigre e o Dragão.

Assistam por sua conta e risco.

[por Francisco Mahfuz] 21:34

vida de cão

Que filme bom é esse Amores Brutos (Amores Perros, no original). Mais um do México que mostra pra quem acha que tem que privilegiar o cinema nacional pois é nosso, e não tem verbas, e essas merdas, que orçamento parco não é desculpa pra fazer coisas ruins. Boas idéias e um elenco competente (ao contrário daquelas performances de colégio do Netto Perde Sua Alma) bastam para a produção de coisas belas.

Mais uma vez é usada a técnica que virou moda atualmente, de narrativas entrecortadas que em algum momento se encontram - um acidente de carro, nesse caso. Aqui funciona excepcionalmente bem, mesmo que não tenha nenhuma surpresa envolvida. Dramas comuns, vidas perdendo o rumo e o sofrimento canino permeando toda a trama; Abre parênteses - as cenas envolvendo canídeos são BEM fortes, pra quem é simpatizante [como eu] podem ser meio traumáticas - fecha parênteses.

Além de tudo, enquadramentos bonitos, trilha sonora no lugar e a divertidíssima língua espanhola na sua variedade mais chula - com a confirmação de que pendejo é uma palavra tão útil aos latinos quanto porra para os cariocas.

Assistam.

[por Francisco Mahfuz] 21:14

19.7.03

deixa eu me explicar

Há algum tempo atrás atrás falei sobre uma possibilidade que tive de vingar-me. Muitos tomaram isso como uma referência a certas pessoas que demorei a deixar pra trás; estavam errados. Contarei agora o que aconteceu.

Um adevogado ligou para o meu trampo precisando de uma tradução urgente; eu me voluntariei. Ele chegou acompanhado de seu pai, outro adevogado, e pediram para falar comigo em particular. Já dentro de uma sala fechada, me mostraram um fax vindo do Manchester United, endereçado a Roberto De Assis Moreira - pra quem não sabe, irmão do Ronaldinho (Gaúcho). Eu, como gremista que sou, vi uma oportunidade de sacaneá-lo; ainda mais porque esses eram os mesmos adevogados que tiraram ele do Grêmio algum tempo atrás, tendo assinado o contrato SEIS MESES ANTES dele sair. Filho da puta. Bom, era um pré-contrato e tal, e eu fiz o serviço para o qual fui bem pago. Revelo isso agora porque o dentuço assinou com o Barcelona, então a minha confidencialidade não é mais requerida.

E era isso que eu queria dizer com aquele post.

[por Francisco Mahfuz] 22:49

baralho espanhol

O velho abriu os olhos, um pouco irritado com o barulho dos ônibus passando embaixo da sua janela. O quarto não estava claro o suficiente para que sua vista doesse, mas quase. Olhou por algum tempo para a pintura descascada do teto e quase voltou a dormir. "Eu devo ter algo a fazer, melhor sair da cama." Pensou por alguns minutos e não conseguiu definir exatamente o que tinha para fazer, mas já tinha tomado a sua decisão. Suspirou fundo, buscou uma força que não mais existia no seu corpo alquebrado e sentou-se. Colocou lentamente as pantufas, tentando esquentar os pés, mas não adiantava; eles estavam sempre frios. Agarrou a maçaneta do armarinho, respirou e levantou. Suas juntas estalaram, e não parecia impossível que algo quebrasse ali mesmo. Cada manhã era mais difícil que a anterior.

A cozinha estava com aquele mesmo cheiro de nada que tinha quando ele se mudou. Normalmente o uso constante, os temperos e invenções gastronômicas de sua esposa teriam impregnado as paredes com um perfume agradável de fritura. Mas ela não estava mais aqui. Ou em qualquer outro lugar. Não fora por isso que ele se mudara, afinal? O velho sempre pensava em como gostaria de ter fé, pra acreditar que ela era mais do que alimento para os vermes agora. E pensava ainda mais numa maneira de esquecer como desejou que ela morresse quando a maldita doença tomou conta. Nunca conseguiu. Ele tomou café como de costume, junto de algumas fatias de pão que ainda não tinham sido dominadas pelo bolor. Devia sair e comprar mais, mas a vontade de comer não era tanta a ponto de fazer algo a respeito. Nenhuma vontade era tanta, há muito tempo.

A televisão não mostrava nada de interessante. Passou de canal em canal e acabou deixando em algum jogo de futebol, ao menos pessoas corriam de um lado a outro. O velho sempre sentia uma pontada no joelho nessas horas, e lamentava que muito cedo fora privado de algo que gostava tanto. "Mas a vida tem dessas coisas, não resta muito além de jogar com as cartas que temos, não é?". Olhou para sua estante cheia de livros e não entendia por que havia comprado tantos. "Servem só pra pensar em coisas desnecessárias, te dar mais motivos pra se incomodar. Ser ou não ser? Ora, como se tivéssemos alguma escolha!". Música também não parecia apropriada, na medida em que não escutava mais tão bem e não tinha nada além de discos antigos de uns ingleses metidos que todos gostavam menos ele. Sentiu o dia passar devagar, adormeceu por algum tempo, e seu estômago logo avisou que a noite havia chegado.

Esquentou a última sobra da geladeira, "Sorte que eu esqueci de almoçar". Comeu em silêncio, como sempre. Olhou para o telefone de repente, imaginando que tocasse, que talvez pudesse ser alguém para tirá-lo desse dia igual aos outros. Mas todos se foram; os que a vida não afastou a morte levou. Colocou a louça na pia, e olhou pela janela por alguns momentos. Indagou se pretendia sair, mas a resposta lhe era óbvia. Foi ao banheiro, conseguiu fazer o que tinha para fazer com certa dificuldade, e andou em direção ao quarto.

Enquanto apagava a luz de cabeceira e puxava suas cobertas, o velho pensava se queria mesmo voltar a acordar.

[por Francisco Mahfuz] 05:50

18.7.03

o velho e o mar

Fazia algum tempo que um livro não me agarrava dessa maneira. Fui vendo a hora de um compromisso inadiável chegar com a mesma preocupação com que o velho pescador sentia o sono nublar suas idéias, e já estava por não sair mais de casa - se ele agüentasse, eu também teria que fazer o mesmo. Mas Santiago decidiu dormir um pouco, só um pouco, e eu pude largar o volume e ir viver além da letra impressa. Mas logo voltei, no momento em que ele acordava, e o puxão mais forte na linha que nós dois estávamos esperando jogou ele de cara na proa e a mim fundo dentro da história, de onde só saí quando tudo acabou.

Um livro só vale a pena quando o leitor está mudado ao seu final? Puta que pariu, esse valeu muito a pena.

ps: Gustavo e Martha, obrigado.

[por Francisco Mahfuz] 08:10

17.7.03

just wondering

Peixes dormem?

[por Francisco Mahfuz] 22:25

16.7.03

beat it

Masturbação pode prevenir o câncer de próstata.

[por Francisco Mahfuz] 21:34

take your eyes off of your navel

Pra quem acha que a vida é um ciclo interminável de sofrimento, que a dor permeia tudo, que só há escapatória sob efeito de modificadores de consciência (leia-se "trago" e "fumo") ou envolvimentos afetivos enganosamente tidos como infinitos - e pra quem acha que não há mais beleza no mundo:

Puta que pariu, SAI NA RUA E OLHA ESSE CÉU.

[por Francisco Mahfuz] 21:04

strike two, i'm out

A greve da UFRGS não funciona. Os únicos afetados por ela (prejudicados é mais a palavra) são os que têm seu cotidiano dentre das paredes descascadas da mesma: professores, alunos e funcionários. Por isso, não é exercida nenhuma pressão no governo quando das paralisações, e nenhum resultado é obtido - se muito algum reajuste irrisório, depois compensado pela revogação de alguma bonificação que não era garantida por lei. Enquanto isso, o calendário acadêmico vai pro inferno, e dá-lhe anos pra botar tudo de volta no lugar. É basicamente um tiro no próprio pé.

Mas temos que protestar de alguma maneira, não podemos aceitar isso calados!

Hmm. Não concordo. Na medida em que não acreditamos na capacidade de mudança, vale o protesto pelo protesto? É ele um fim em si? Acho que não. Parece-me simplesmente uma forma de saciar um orgulho besta, de não ter se curvado mesmo sabendo que a resistência não levaria a nada. Não pretendo dizer aqui que simplesmente desistir seja o caso; mas acho que fazer a greve simplesmente porque ela é mais viável, mais imediata, mesmo que infrutífera, é só uma maneira de enganação, uma outra forma de desistência. Talvez seja a hora de buscar uma outra alternativa, por mais que pareça impossível - e admitir sua impossibilidade é aceitar a nossa derrota, assim como se esconder atrás da ilusão de que a greve traz algum bem.

Alguma sugestão?

[por Francisco Mahfuz] 03:51

15.7.03

um palhaço no campo de concentração

Acabo de voltar. O show da Blanched tava primoroso, ainda melhor depois que segui o conselho silencioso do Charles Pilger e fechei os olhos pra captar o som sem me distrair com acepipes. Tom Bloch teve algo de interessante, inclusive um momento Ney Matogrosso do vocalista. Já Vianna Moog eu achei uma bosta, com a ressalva de que a grossidão e o entusiasmo deles foram muito apreciáveis. E agora vou ali dormir três horas antes de ir pra aula discutir Hamlet.

[por Francisco Mahfuz] 07:38

days like these

Grande dia. Dormi mais do que devia, terminei algum trabalho pendente, e fui receber um substancial pagamento por algo que foi tão divertido (tive a melhor companhia) que nem pareceu trabalho. Ao guardar o cheque, encontrei 50 pila no fundo do bolso da mochila - isso virará cerveja hoje, provavelmente. Dei umas voltas pelo Centro, comi um baguete maravilhoso ali no Come-Come e cheguei no cinema Victória bem a tempo de uma sessão. Legal ver filmes sozinho, fazia algum tempo. É divertido ver o Centro no início da noite, quando o maior movimento já passou - e melhor ainda voltar pra casa de ônibus tendo um livro bom pra ler no caminho. Dias assim não são tão freqüentes.

E ainda faltam os shows ali no Jekyll.

lml.

[por Francisco Mahfuz] 01:09

14.7.03

morreria por ela agora

SEGUNDAS IRREDUTÍVEIS
Mais uma edição do projeto que esquenta o começo da semana! Shows da Tom Bloch e as bandas do Vale do Sinos Blanched e Viana Moog. A escalação das bandas desta edição contempla muitas guitarras e melodias pouco adocicadas. Sérgio Rodrigues expõe seus painéis de arte urbana.

Local: Dr. Jeckyll
Travessa do Carmo, 76 - Bairro Cidade Baixa.
Porto Alegre - Tel: 3221-5922.

Horário: 22:00

Ingressos: R$ 6,00.


Irei.

[por Francisco Mahfuz] 17:25

recortes ordinários de um (des)amor

Preciso esquecer que ela existe.

[...]

As árvores passam tão rápido que parecem estar paradas. O céu está daquela cor escura, quase negra, mas já dá pra perceber um sol com preguiça de acordar. Tenho muito no que pensar, muito que lembrar. Sempre achei que viajar de ônibus à noite é uma coisa meio mágica, transcendental. As janelas velhas, quase sempre emperradas, me dão a sensação de que olho pra dentro de mim, que vejo o que escondo mais no fundo - o que às vezes é uma merda. Porque aí esqueço de tudo, e só lembro de quem é tudo pra mim. Foi. Foi tudo. Na verdade, não tenho mais dúvidas, não tenho mais o que decidir; acabou, eu sei o que eu tenho que fazer, não adianta mais ficar me enganando.

[...]

O sexo sempre foi bom com raiva. Ela me arranha, morde, me aperta de um jeito que diz Viu, seu desgraçado? eu sou melhor que tu, melhor que isso que a gente vive, só porque nosso suor tá misturado não quer dizer que tu me merece. As brigas vêm toda hora, quando eu menos espero, e cada vez piores. O silêncio deu lugar aos gritos, parece que cada momento dos muitos que passamos quietos serviu pra imaginar a pior ofensa, a que machuca mais fundo. E toda vez que estamos juntos, exaustos de tanto discutir, de tanto brigar, de tanto transar, tento acreditar que talvez não estejamos tão perto do fim.

[...]

Tu já pensou no buraco da lata de cerveja? É o tamanho mais ou menos certinho de um dedo, qualquer um que não seja o polegar. Dá certa vontade de colocar o indicador ali, sei lá, de repente pra pegar as últimas gotas que grudam no metal. Mas vai que o dedo engata, deve doer pra burro pra tirar, quem sabe corta daquele jeito que leva meses pra cicatrizar direito. Eu pensando nisso, e ela atrás de mim, falando. Há quanto tempo? Não sei, não escutei quase nada, só algo sobre uma amiga com problemas, doente, vai saber. De vez em quando resmungo qualquer coisa pra fingir que me importo. Ela vai viajar, nem sei quando volta, por que estou assim, anestesiado? A televisão fala por nós, e parece bem mais interessante do que qualquer coisa que tenhamos dito nos últimos tempos. Eu deixo meu olhar se perder num programa qualquer, por medo de ver nos olhos dela tudo que já perdemos.

[...]

Porra, hoje ela bebeu demais, mania de achar que pode me acompanhar. Agora tá passando mal, enchendo o saco, e eu tenho que ficar agüentando. E pior que nem sempre é assim. Ela normalmente bebe e fica alegre, dança, me agarra onde a gente estiver, me lembro daquela vez do lado de fora do restaurante, os pais dela jantando e nos esperando. Mas ultimamente não tem sido desse jeito, também não estamos falando como antes. Em alguns dias, a conversa é tão boa que transar parece um desperdício - e quando estamos na cama penso que nunca mais quero fazer outra coisa. Acho que amor deve ser alguma coisa assim. Em alguns dias. Em outros, os gemidos e gritos só escondem que simplesmente não temos mais tanto a dizer.

[...]

A chuva bateu forte na janela do quarto, e por um momento me peguei olhando aquelas formas estranhas que a água faz enquanto corre vidro abaixo. Mas só por um momento. Logo voltei minha atenção pra ela, dormindo feito um anjo, nua. Eu adoro quando ela fica assim, entregue, tão cansada que não tem como vestir uma dessas camisas velhas que ela gosta de usar. Suas pernas morenas se enrolam no lençol duma maneira impossível, só sem querer, se tentasse não conseguiria. Deixo ela na cama, sozinha, não fico do lado fazendo carinho, dando uns beijos. Caminho até a poltrona velha perto da parede, me largo e fico só olhando. Vê-la assim, serena, despida de tudo que não tem importância, me dá uma sensação que eu não sei explicar direito. Mas sempre que alguém fala em felicidade, é nisso que penso.

[...]

Ela sabia beber, foi a primeira coisa que notei quando sentamos naquele bar. O garçom já veio trazendo uma cerveja, ela fez cara feia e pediu outra mais cara, Ninguém aqui é mendigo, né? Porra, eu adorei. A conversa correu daquela maneira que não tem muita lógica, não se fala de nada útil, e por isso mesmo que funciona. Tá, mas tu nunca morou sozinha? Só com muita pimenta, senão não consigo. E de Caetano tu gosta? Não, eu prefiro gatos. Essas coisas. Me diverti tanto, gostei tanto de falar com ela, que quase esqueci como queria levá-la pra cama. Quase. Na hora de pagar a conta fiz alguma piada machista, começamos a discutir, e ela me deu um tapa na cara, daqueles em que a dor dói bem mais do que a vergonha, nada dessa bobagem de orgulho ferido. Quando o troco chegou já estávamos nos agarrando.

[...]

Finalmente tomei coragem e chamei ela pra sair. Depois de algumas semanas de esbarrões intencionais e olhares trocados à distância, fiz o troço do jeito mais simples; cheguei, E aí, o que tu acha de a gente ir num bar, Claro, vamos combinar um dia desses. Foi fácil até, quem sabe tenho alguma chance. Espero que ela não seja dessas frescas que só bebem Campari.

[...]

Hoje eu descobri que a mulher dos meus sonhos existe.

[por Francisco Mahfuz] 16:05

art is hard

Estou assustado com a qualidade dessas bandas: Mineral, Cursive e Penfold.

Valeu, Nego/Cuper.

[por Francisco Mahfuz] 02:19

12.7.03

read and shut the fuck up

A Fraude voltou.

Visitai.

[por Francisco Mahfuz] 17:58

i'm feeling like j. iscariote

Hoje tive a oportunidade de saborear uma vingança que sempre pareceu completamente fora do meu alcance. Ela apresentou-se assim, fácil, logo ali, todo um povo esperando ansiosamente, e declinei. Mais: nem cogitei a possibilidade na hora. Sinto alguma satisfação ao ver que fui melhor do que pensava poder ser - ou por simplesmente não me importar mais.

Algumas chagas o tempo realmente cura.

[por Francisco Mahfuz] 00:44

ma ma oi

Meu deus, que coisa mais maquiavelicamente engraçada e genial.

(Post levemente roubado do Mini)

[por Francisco Mahfuz] 00:36

11.7.03

frio faz as primeiras vítimas

[por Francisco Mahfuz] 17:12

10.7.03

escandinávia

Hoje pela manhã descobri que o meu sobretudo serve muito mais pela marra do que propriamente pelo seu fator de ESQUENTÂNCIA. Foda.

E quem estava reclamando que não esfriava mais, tá satisfeito agora? HEIN??

[por Francisco Mahfuz] 18:03

o importante é estar sempre bonito

Uma das cenas mais engraçadas dos últimos tempos aconteceu hoje bem na minha frente ali na Goethe. Estava sentado tomando a minha cerveja de quarta-feira com alguns amigos quando vimos caminhando pela rua um mendigo todofiadaputa, com uma barba enorme e provavelmente PIOLHOSA. O cara parou do lado duma moto que estava estacionada na calçada e SE AJEITOU OLHANDO NO ESPELHINHO, inclusive dando uma PENTEADA no pelego facial. Puta que pariu, faltou pouco pra eu chorar ali mesmo.

O que faz eu me lembrar de quando comprava um temeroso xis de um real na Borges e vi o POPEYE sentado na sarjeta, com direito a boné de marinheiro, braços bombados e uma cicatriz do tamanho duma TAINHA na barriga. Mais estranho que isso só eu não ter morrido comendo aquela porcaria.

[por Francisco Mahfuz] 04:35

deixa ser como será

A causa de toda a dor é o desejo. Querer mais do que temos nos leva a uma infelicidade difícil, talvez impossível de ser superada. O principal problema é o efeito bola-de-neve de uma ambição que vai além da busca pela paz interior; quando tens o emprego queres a reputação, quando tu tens a namorada queres o carro, quando tens saúde queres perfeição. É uma serpente engolindo o próprio rabo, não tem escapatória. E o pior de tudo isso é que de quando em quando as coisas vão mal, também porque nada é eterno, e a dor volta com toda a força. Nada do que possuímos é verdadeiro, nada nos trará satisfação - são só placebos. Quer dizer que o inferno são os outros? Não, mas também não são o céu. No momento em que entendemos que somos os únicos responsáveis pela nossa satisfação, muito começa a fazer sentido. Não quer dizer que compreender isso seja a solução de todos os problemas, mas é o primeiro passo.

A causa de toda a dor é a inconformidade. Existe uma idéia de como as coisas deveriam ser, como deveriam ocorrer, e a contrariedade incomoda, bastante. Ela te largou, choveu no teu piquenique, esse ombro não melhora nunca? Isso acontece. Há o que fazer a respeito? Faça. Não há? Não faça. Preocupar-se, reclamar ou ficar brabo não levará a nada. Quer dizer, pode até inspirar algum arroubo artístico de primeira grandeza, mas essencialmente não vai mudar nem um pouco a situação - então, não justifica o tempo e a energia que podem ser desperdiçados. Um cão vadio não se irrita quando não tem o que comer; ele simplesmente procura até encontrar ou morrer atropelado por alguém que imagina que vai achar felicidade andando mais rápido do que a Física recomenda. Certas pessoas se deparam com algo ruim, dizem um foda-se sincero, bebem a cerveja antes que esquente e vão pra casa sem mais pensar naquilo. É por aí.

Desejos e inconformidades talvez sejam só lados da mesma moeda, o que não faz nenhuma diferença, na real; semântica não é o ponto aqui. O que interessa é que mais cedo ou mais tarde o caminho se estreita, e só sobra uma alternativa:

LET GO.

Eu estou sinceramente tentando.

[por Francisco Mahfuz] 01:07

9.7.03

passo com o carro por cima?

Não interessa o que digam, amigos de verdade são trimmmassa. É preciso alguém que te conheça pra saber que ficar digitando problemas não é suficiente, tem que sair e tomar uma ceva ou uma bebida qualquer de boneca pra discutir direito, mesmo que seja numa hora indecente. Mas não dá nada, os livros continuarão no mesmo lugar e ainda não é amanhã que o Brasil se mete numa guerra além da que acontece todo dia nas ruas. Dorme na boa soldado, se tu acordar todofiadaputa tu paga dez e deixamos por isso mesmo. E de que adianta querer ser uma pessoa maior e andar pelo caminho certo se os dois o fazem? Aí ninguém leva nada, o casi nada, comprendes, muchacho? Não vejo exatamente qual o sentido de comprar uma máquina de matar quando ela fica ganindo na frente do teu quarto porque tá nas pilha de dormir enrolada num cobertor. Talvez seja essa hombridade canina que eu simplesmente não entenda, já que quem vê cara de cachorro... tá olhando pra mim. Queria deixar meu abraço pra todo mundo que tá dormindo de perna pra cima, de cabeça pra baixo, um morcego pode ser um mascote bem legal, desde que não fique trancado na caixa da cortina fornicando sem controle - e o Robin dando banda com aquelas pernas de fora... Quem é mais sentimental que eu? O Werther, com certeza, talvez aquela guria que chorou no clube por causa dos palhaços. Se me aparece um buraco na testa amanhã pela manhã finjo que me importo ou levo na boa, já que o do peito começou a fechar? Se me lembro dos sonhos que tive será que preciso ir ali e matar o bicho que dorme que nem gente, só pra manter o tal de carma na boa? Espero que não, se bem que não daria nada, todos os cães merecem o céu. Preciso aprender a dar meus ouvidos a muitos e minha voz a poucos, mas tem como escutar essas bobagens quieto? Cotonete nunca mais, a sabedoria e a higiene não andam juntas. Praticarei tudo que ainda não aprendi, esperando que um dia conheça o suficiente pra roteirizar um desses filmes japoneses que ninguém entende. Quero ser iluminado, mas não preciso raspar a cabeça, né? Morrer, dormir, sonhar. Ou só dormir, bastante, agora. Logo depois de esquecer todas essas palavras que me escaparam da barreira dos dentes.

[por Francisco Mahfuz] 07:49

holy tv grossedo

Nesse momento na TV aberta:

BANDEIRANTES - "Afro X encara o detector de mentiras no 'De Cara Com A Fera"; perguntas do nível de Tu engravidou a Simony pra aparecer na mídia?.

GLOBO: "O Jogo"; atores canastrões ao extremo encenam uma bobajada de detetives enquanto o público vota nos suspeitos.

REDE TV! - "Vai encarar? Rogéria abre o jogo e conta segredos no SuperPop"; dicas do tipo aprenda a disfarçar seu pênis entre as pernas.

Que merda, hein?

[por Francisco Mahfuz] 03:27

bookworm

Ontem e hoje finalmente tive tempo de botar a leitura em dia. As circunstâncias (que não vêm ao caso) acumularam-se de tal maneira que devo ter tido umas boas seis horas pra meter a cara nos livros. Comecei e acabei o Hamlet de Shakespeare, Os sofrimentos do jovem Werther de Goethe e O livro das cousas que acontecem do ermitão tatuado Daniel Pelizzari (aka Mojo); além de ter avançado mais alguns contos no Dubliners de James Joyce. Comentários mais detalhados logo que eu tiver tempo - e não o estiver usando para ler.

Foram bons dias, esses últimos.

[por Francisco Mahfuz] 00:58

8.7.03

o galho chegará ao oceano

How can one prevent a drop of water from ever drying up?

Acabo de assistir Samsara. Gostei bastante. A história é bem conduzida e embala depois que o protagonista sai do mosteiro, depois de mais de meia-hora quase sem diálogos - não que isso seja um ponto negativo, pelo contrário: as cenas mais fortes são expressas SÓ NO CARÃO. Mas nem todo mundo digere facilmente esse tipo de coisa. As paisagens são maravilhosas, a trilha sonora é bem legal e as cenas de sexo são fortes mas ternas, não destoam nem um pouco do clima da película. Até me surpreendi que não era necessário quase nenhum conhecimento de budismo para compreender o filme - se bem que ajuda saber o que o título significa.

Não entrarei em grandes considerações sobre o dilema vivido pela personagem principal porque simplesmente não me considero apto para tanto, mas o que sei com certeza é que o adágio que lá em cima começa e logo abaixo termina vai me deixar por algum tempo pensativo.

By throwing it in the sea.

[por Francisco Mahfuz] 02:52

7.7.03

the group who couldn't say

Acabo de baixar quase inteiro o Sumday, álbum novo do Grandaddy - para o qual grande parte da crítica vem tecendo loas (apud Martha) há algum tempo. Sei lá. Achei bom de escutar, tem uma qualidade indiscutível ali, mas pareceu estar faltando aquele plus a mais que te força a ficar ouvindo sem parar. O som lembra um Flaming Lips menos experimental, com letras angustiadas e sofridas, na sua grande maioria.

Talvez eu só não esteja no clima pra esse tipo de coisa agora - ou talvez seja a semelhança que eu sinto com Beatles, que eu nunca consegui realmente gostar (e já sei que serei xingado por isso). Ainda assim valeu o tempo que dispendi com esses caras só por ver o site GRACINHA deles. Vale uma olhada.

[por Francisco Mahfuz] 04:01

te garanto que mais de dezoito a gente não bebeu

Depois de muitas discussões e boatos (muito passados via e-mails) a questão da obrigatoriedade de se pagar a consumação, a chamada venda casada, está com os dias acabados. De acordo com o Procom, está bem claro em seu artigo 39, inciso I, que é vedado o fornecimento de produto ou serviço condicionado à compra de outro produto ou serviço.

Recebi isso faz pouco num desses emails que a gente raramente lê até o final, mas talvez por confiar na fonte me dei ao trabalho de examiná-lo com atenção. Pareceu bem interessante.

Nunca concordei muito com esse negócio de consumação, mas sempre achei uma alternativa viável à um ingresso caro - também conhecido como dez pila morto. Claro que no caso da consumação ser mesmo abolida, a tendência é que o custo pra entrar nos lugares aumente, e aí acho que não haveria grande vantagem. Algo que na minha opinião poderia mudar é esse negócio de anotar o que foi consumido num cartãozinho pra acertar depois. Em bares e lugares de baixa frequência, não dá nada, mas em casas noturnas bombando é rotineiro esperar uma barbaridade na fila pra pagar a conta. Que pague-se tudo no balcão: é mais simples, e impede que alguém tenha que deixar as calças por falta de noção de quantos tracinhos tinha do lado de "cerveja". Pra não falar dos bares que não te dão uma comanda e depois tentam inventar o quanto tu bebeu.

E os famigerados 10% são outra merda; quase todo mundo sabe que não precisa pagar, mas é um saco agüentar cara feia de garçom e aquela ameaça velada de pêlos pubianos na próxima polenta com queijo que tu pedir - só o que me faltava era ter que me preocupar cada vez que sair pra me gelar.

Claro que mesmo sendo essa notícia aí verdadeira, não acredito que tão cedo algo será posto em prática. Se algum dia for.

[por Francisco Mahfuz] 01:06

5.7.03

van jackman



Uma pena, esse novo filme do Wolverine. A história do caçador de vampiros Abraham Van Helsing vai ser contada pelo cara que dirigiu A Múmia, o que provavelmente tornará o que poderia ser uma coisa densa e legal numa bobajada dum blockbuster.

Ainda deverá ser divertido, mas me parece um desperdício de uma boa premissa.

[por Francisco Mahfuz] 18:17

não gostou? chupa de outro

Mad Max I é um exemplo clássico daqueles filmes toscos de músicas tensas e cenas violentas, típicos dos anos 70. Daqueles que não se faz mais por total falta de ousadia dos produtores atuais, que sempre nivelam seus filmes visando um lucro maior, naquilo que se convencionou chamar de Spilberguização do cinema. Tudo isso pra não chocar gente fresca como você.

(...) Seu desejo era só passar mais tempo com sua mulher e filho. No entanto o seu chefe, o Capitão Fifi, o convence a tirar umas férias e depois voltar. Então Max e sua esposa Jessie (Joanne Samuel) viajam para uma fazenda. Aqui o filme deixa um pouco de lado a violência e o terror e passa a mostrar o lado mais sensível do personagem Max, que ao lado de sua esposa Jessie e seu filho Sprog, começa a refletir sobre sua vida. Em uma cena bonita do filme Max diz a Jessie que não queria ter que esperar dez anos para dizer a ela o quanto ela era importante para ele. Ah, mas é claro que você não acha isso bonito, vadia, porque com esse seu comportamento nunca nenhum homem em sã consciência falará isso pra você. E não ache isso estranho não, porque fazendo o que você faz e ficando com quem você fica, o máximo de interesse que alguém vai ter por você será pela sua bunda. Compreendeu? Acho que não, mas foda-se.


Grossidão jornalística de primeira.

[por Francisco Mahfuz] 17:43

o calor dos corpos exige janelas abertas

Tudo parecia igual.
O sol de inverno acariciando a pele,
o jovem tocando violão,
o velho lendo mais um livro.

Das árvores, o canto dos bem-te-vis, sabiás e pardais.
O cheiro de grama cortada,
a risadaria das crianças,
tudo parecia realmente igual.

Mas o nosso banco está vazio,
saímos de cartaz.
Você mudou de país,
eu espectador da sua ausência.

© 2002 - Sergio Fonseca

Através de comentários aqui e no blog de parcêros por aí, descobri dois sites dignos de nota: o Cabeza Marginal (cujo blog também foi linkado e chupado na foto e texto acima) e o Meu Paredro. Algum artê admirável por ali, vale dar uma conferida.

[por Francisco Mahfuz] 07:13

4.7.03

he wore this watch up his ass

O roteiro de Pulp Fiction.

Vai lá, prego.

Rachi, valeu pela dica.

[por Francisco Mahfuz] 04:50

3.7.03

num retrato falado eu fichado exposto


My passport sure is gay


Já que os maledettos do Consulado Italiano me sacanearam, não tive opção a não ser voltar oficialmente a fazer parte das legiões do Grande Satã.

Só espero não virar um imbecil irresponsavelmente nacionalista como a maioria dos meus COMPATRIOTAS.

[por Francisco Mahfuz] 21:55

um noivo, um adevogado, e um dote de 20cm

Acabo de descobrir que um amigo meu vai fazer um FILME PORNÔ. Sim, de verdade, com sexo e tudo.

Nas palavras do cara, "nunca fui feliz com o amor, desisti".

Como diria alguém que me gusta mucho, CHOCANTE.

[por Francisco Mahfuz] 05:07

i'm dying to know

Tem algo mais constrangedor do que fazer campanha publicitária pra FUNERÁRIA e CREMATÓRIO?

[por Francisco Mahfuz] 05:05

2.7.03

chris farley

Escutei hoje que por falar demais, enfatizar todos finais de frase e utilizar hipérboles grosseiras, eu teria ESPÍRITO DE GORDO.

Não sei bem o que pensar.

[por Francisco Mahfuz] 16:25

então não fui só eu que notei

According to just about every music-related outpost on the web, including this one but excluding (not surprisingly) the Flaming Lips' very own, everyone's favorite psych-pop purveyors from Oklahoma City have reached a settlement with the former Cat Stevens (now Yusuf Islam) to split all royalties from the Lips' song "Fight Test." It seems that the song bears a striking similarity to Stevens' "Father and Son" from his 1970 release Tea for the Tillerman.

O resto da matéria, aqui.

[por Francisco Mahfuz] 05:31

lights burn clear

Estranho sentimento esse de vislumbrar claramente o que se quer do futuro, com detalhes e requintes de crueldade até. Estranho e assustador, mas ainda assim reconfortante.

Acho que seria PAZ o nome dessa sensação. Acho.

[por Francisco Mahfuz] 03:04

1.7.03

awakening

Uma das coisas mais perigosas que já inventaram foi o despertador com esse maldito MODO SONECA.

[por Francisco Mahfuz] 23:11

acho que dá pra pedir mais uma se tu quiser

Certas coisas não têm razão de ser, ou será que têm? Dirigindo à noite, a cabeça cheia de cerveja, na parceria, meus amigos são os melhores, não é todo mundo que aceita financiar teus sonhos sem reclamar, escutando qualquer coisa maravilhosa, de onde vem a calma mesmo? Não sei, mas não preciso de muito mais pra ser feliz. Aquela sensação de perder o controle, não saber o que eu tô fazendo, sentir todo o corpo leve, já achei que era amor, ultimamente acho que é trago mesmo. Se bem que tomei um remédio pra gripe dia desses, e meu pescoço começou a formigar, e me lembrei que quando pequeno achava que aquilo era felicidade. Felicidade é poder se perder sem perder o poder de saber que está perdido, acho que alguém inteligente já disse isso, talvez não, talvez eu só queira tirar dos meus ombros a responsabilidade por essa bobagem. No final do dia são coisas assim que importam. Pessoas se machucam, pessoas apanham, pessoas pedem pra apanhar, safadeza também é alegria, é só saber fazer direito. Acho que vou botar uma camisa florida e uma corrente de ouro e ir ali ser filme brasileiro. Eu queria ser espanhol, mas então ia rolar uma viadagem, ou pelo menos uma sexualidade dúbia, e aí não era. Se todas os poemas e canções servissem de alguma coisa, meu deus, como eu teria paixões pra viver, mas nem, o negócio é ser apaixonado pela vida, um joelho é só mais um pedaço de carne, não esquenta que tu volta a dançar, guria. O sangue sai quando a gente esfrega com um pouquinho de sapólio, mas vai tirar da memória essas coisas, o foda é isso. Um dia eu vou conseguir fingir o amor que deveras sinto, e é só ir pro abraço entonces. Na verdade eu queria usar um sin embargo parcêro, mas nunca peguei direito essa expressão, vou ter que me fingir de entendido em outra língua, não dá nada. Mas agora vou tentar dormir um pouco que o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo.

E vou fingir que isso tudo foi efeito da bebida.

[por Francisco Mahfuz] 06:23

bugios também drumbam

Linkei ali do lado Organizers e Evillips, duas expressões artísticas musicais do Bugio Ruivo.

Cousas muito interessantes, recomendo.

[por Francisco Mahfuz] 00:09



remember me as a time of day
shared the ramblings of a drinking dog