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divagações, manuscritos e conversas de mesa de bar



30.12.03

uvas, champanhe e flores no mar

Mais um ano termina e tu começa a pensar em tudo que deveria ter sido diferente. Mais um ano vem na sequência e tu tenta decidir o que não fazer. Nas proximas linhas, um guia prático de como errar melhor.

1 Cale a boca. Escute. Olhe ao redor. A beleza está por todos os lados, basta prestar um pouco de atenção. Pare de achar que ficar sentado diante de um pôr-do-sol é coisa de hippie maconheiro. Não corra pra baixo de uma marquise sempre que chover; sinta a água te encharcar os cabelos, umedecer tuas meias, e aproveite o espirro que vem em seguida. Faz tudo isso sorrindo, sempre. É mais facil do que parece.

2 Entenda que está morrendo. Cada expiração, cada pulsação, cada dia te deixa mais perto do fim. Não fomos feitos pra durar. Esse monte de carne, sangue e tatuagens da moda é fragil; vitaminas de menos ou tempo demais vão acabar te matando. Não te preocupe com o que vem depois - existe depois? A certeza de que esse é o único tempo que tens te joga nos ombros a responsabilidade de usá-lo bem. Aceitar a morte só te obriga a viver.

3 Durma com uma pessoa diferente todos os dias, espere pelo amor da sua vida. Estude demais, não estude nunca. Dedique-se à carreira que te garantirá o futuro, abandone a faculdade. Faça tudo isso, não faça nada - mas pare de se enganar. Sonhos, deliríos alcolizados e noites frias dirigindo sem rumo te dizem exatamente o que tu precisa pra ser feliz - quantas vezes mais até que tu entendas a mensagem?

4 Pessoas entram na tua vida, te afetam, mudam tudo, e vão embora. Olha para essa foto de vocês na praia sabendo que isso não vai se repetir. Nunca mais. Não há como voltar no tempo, como mudar todos os caminhos que levaram vocês para tão longe. Adiantaria? Seria como antes? Recorde-se do que aconteceu e deixe pra trás quem ficou pra trás. Entender que esse é o preço de viver faz parte do teu crescimento. Ainda assim, é todo teu o direito de saborear o gosto amargo da saudade nessa lagrimas que com certeza virão.

5 Lembre-se dos melhores momentos que tu já viveu. Quando teu time marcou aquele gol; beijar ele no final da noite; escutar aquela música e dançar, pulando, de olhos fechados; sexo - em quantos deles tu realmente pensava em alguma coisa? Nos raros instantes em que a tua mente parou tu te sentiu mais completo do que nunca. Quase todos os teus problemas são bem menores do que parecem. Pense menos em como tua vida é ruim - ela ficará melhor.

6 Desista dos seus sonhos; eles são velhos e provavelmente não significam mais nada. Olhe pro futuro sem saber o que vai acontecer. Admita estar com medo. Não se esconda atrás do que teus pais dizem ser o melhor caminho, mesmo que tu estejas caminhando no escuro. O pior que tu podes fazer é seguir os passos dos outros - tenha seus próprios erros (só cuidado pra não andar em círculos). Quando preciso for, sonhe de novo.

7 Seja bom. Pense o melhor dos outros, queira o melhor pros outros. Pare de julgar, criticar, desgostar. Ofereça sua cama, ligue, dê presentes fora de hora. Isso vai mudar o mundo? Não. Talvez nem faça nenhuma diferenca perceptível. Mas cada vez que teus amigos pagarem a tua cerveja e discutirem pra ver quem te dá carona tu vais dormir entendendo que a bondade é a unica religião em que podes facilmente ter fé.

8 Não são as roupas que tu usas; não é o teu carro, ou quanto dinheiro tu tens; não é nada que possa ser contado, medido ou comprado. É a saudade na voz dos teus amigos. É olhar em volta e só ver gente que tu ama. Estar completamente sozinho e não se importar. Conversar à luz de velas até que o sono chegue. Chorar como uma criança a cada despedida. Ver a serenidade no rosto dela depois de adormecer, exausta, entregue. É parar, respirar fundo e perceber: tu é feliz, mais do que imagina. Mesmo que ainda precise de datas especiais pra lembrar-se disso.

Feliz ano-novo.

[por Francisco Mahfuz] 19:43

23.12.03

today is the greatest day i've ever known

Explosions In The Sky, dois shows em Londres na mesma semana.

Nao consigo dizer mais nada.

[por Francisco Mahfuz] 15:37

24-hour party people

Sai' do trabalho as quatro da matina, depois de umas boas dez horas na labuta, e fui atras duma festa. Meu amigo fez uns telefonemas e nos conseguimos um numero de contato. A unica coisa que uma voz gravada dizia era Camley Street, 103 to 105. NW1, nearest station is Mornington Crescent. Depois de tres onibus noturnos, chegamos em Camden, que fica mais ou menos do outro lado da cidade do hotel de onde eu moro. Por sorte, eu sempre ando com o meu A to Z, que e' um guia de ruas extremamente pratico, especialmente pra quem e' perdido como eu. Depois de algum tempo e informacoes desencontradas de mendigos e criminosos, encontramos. Uma quadra antes dava pra ouvir o TUNTS bombando, e eu segurei o nervosismo: minha primeira SQUAT PARTY.

Squatters sao pessoas que invadem um lugar e fixam residencia, obviamente de forma ilegal. Muita gente que ta' numa ruim aqui em Londres utiliza desse recurso pra nao ter que morar na rua - a maioria desses lugares ainda tem conexoes eletricas e aquecimento, entao nao e' tao terrivel quanto parece. Uma Squat Party funciona assim: uma galera encontra um lugar que tenha essas minimas condicoes, de preferencia numa zona nao muito residencial, pra evitar que moradores antecipem o que muitas vezes acaba acontecendo: OS HOMI chegam e dao fim ao evento; ai' eles levam o equipamento de som, alguma decoracao, e espalham os dados da festa pra algumas pessoas de confianca, que a vao disseminando. So' e' possivel saber onde vai ser algumas horas antes (dessa vez no inicio da noite de sabado). A entrada e' muito barata, algo em volta de £3 - um clube como a FABRIC custa £15. Esse valor PARCERO faz com que muita gente diferente apareca, as vezes ate' mendigos e criancas. Dessa vez nao rolou, mas ocorre seguidamente. ENTONCES, era mais ou menos assim: dois andares, amplos, com a segunte divisao:

- Tres salas completamente destruidas, levando a um banheiro com nada mais do que duas privadas em pessimo estado - que estranhamente funcionavam;
- duas "pistas" com varios DJs diferentes, quase todos bons (tocando hard-house, especialmente);
- uma chill-out area de respeito, com sofas velhos, tapetes e almofadas, alem dumas banquinhas vendendo sanduiches e cerveja.

Por obvio que todo tipo de drogas e' consumido no local, mas nada diferente de qualquer outro lugar dessa cidade - talvez um pouco mais na cara, mas alguns meses aqui e tu te acostuma a ver qualquer coisa. O diferencial e' que a festa NAO ACABA. Eu entrei as 5h30 da matina de sabado e sai as 15h de domingo - e tava bombando ainda. De brinde presenciei a manha mais linda desde que eu cheguei, com um sol GORDO e ceu de chorar de tao azul - quase suficente pra eu nao sentir o frio assustador que comecou a fazer aqui.

Uma longa tarde de confraternizacao com meus amigos garantiu que eu ficasse 40 horas acordado, entao vou dar uma descansada agora. Parece que a proxima festa vai ser massa, mas isso EU SO' VOU SABER NA HORA.

[por Francisco Mahfuz] 15:24

20.12.03

49B, Goldhawk Rd.

You wake up and look out the window; it's raining again, but you can see the people outside don't seem to mind. Eventuallly you won't, either - but not quite yet. The mess downstairs is a reminder of the previous night, when you and your friends sang and laughed and drank and talked for hours, as you always do on these rare occasions that everyone is in the house - nights so simple that your wildest dreams seem a little foolish. It doesn't take that much, does it? And all you had to do was give up everything.

The kitchen looks even smaller now that no one has done the dishes for a couple of days. You could, but caring about it would be somewhat necessary. Going through the drawers you gather some bread, chesse and eggs, and try to remember how it was not having to worry about what and when to eat - seems like ages ago. The door lazily yawns and you smile, wondering who it may be. How strange it is longing to see people that actually live with you? Probably not stranger than the fact that they have already become your friends and family before you can even miss the ones who previously held the titles. And it makes no difference that they may not speak the same language you do, because there is understanding; your journey is theirs as well.

Is it all that different? No, not at all. The heart still beats for what (who) it once did, and the tears still stream down your face every now and then. Pictures and memories are there to remind you that the healing power of distance is overrated. The doubts are yet to be answered, and time could never be enough - but then again, that may not matter. When you actually stop and realize the world around you, it seems clear you can put your arms around it at ease. There are no limits, no boundaries that can't be crossed. Wonderful as that can be, it's undeniable that people come as easily as they go - how many more goodbyes can you take? There is no option, is there?

But it IS different: you party harder than ever, you work harder than ever, you live harder than ever. Out of the bubble our generation grew up in, you can be really scared. There is no safe net on this tightrope you've been dangling from. What if you fall? What if you have to go back - but go back to what? Your old friends, your family? The job you never liked that much, the future you were never that eager to welcome, the life you so wanted to leave behind? Home? Home is where the hurt is - everywhere.

You are home.

[por Francisco Mahfuz] 16:06

19.12.03

ebenezer scrooge

Nao gosto de Natal. Nunca consegui definir exatamente por que, mas sempre sinto isso nessa epoca do ano. Pode ser porque nao me identifico com a origem crista do negocio, ou porque todo consumismo me pareca artificial. Po, o Papai-Noel so' tem aquelas cores por causa da Coca-Cola, pra ver o tamanho do absurdo.

Minhas relacoes familiares sempre foram modestas, nunca tive aquele ardor de saudades e necessidade que muitos que conheco tem. A ideia de "reunir-se com aqueles que voce mais ama" no Natal nao e' exatamente o que mais me toca. Fica sempre aquele sentido de obrigacao, de tradicao forcada. Mas o que geralmente passa pela minha cabeca e' que me incomoda essa necessidade de ser bom e feliz. Nao gosto de como as pessoas tornam-se automaticamente caridosas e gentis "porque e' Natal", quando deveriamos estar sempre tentando ser assim. Eu tenho minhas fases boas, ruins, nao e' porque o velho JC nasceu nessa epoca que eu vou pautar meu comportamento e meu estado de espirito de acordo.

Sim, ja' sei: estou sendo cinico, cetico, pessimista, throw all your stones at me and i'll take them open-chested. Mas nao gosto mesmo do Natal.

Este ano, devo comemorar em alguma festa enlouquecida, especialmente pra compensar o fato de que trabalharei no ano-novo. Meus bons amigos estarao ou tambem trabalhando ou em outros paises visitando seus friends and loves, entao NEM ERA fazer uma janta e ficar abracando lembrancas.

Ainda assim, continuo gostando de presentes; MANDEM-OS - no fundo ainda sou um guri feliz por ganhar um boneco GI - JOE.

[por Francisco Mahfuz] 15:29

16.12.03

change the way

Muita gente foi embora, gente nova precisa chegar. A batalha em casa e' porque as gurias nao querem brasileiros e eu e o Daniel insistimos na necessidade de FEMEAS ARDENTES, tanto pela limpeza geral da residencia como porque morar com homem demais cansa a vista (tinhamos tres gurias brasileiras, indicadas como DE BOA ESTIRPE, rejeitadas pela sua nacionalidade). E' das situacoes mais estranhas ter pessoas vindo aqui pra ver os quartos e depois sentarem na sala com a gente enquanto todo mundo tenta ser legal e ver QUALE'. Ate' o final do mes devemos ter ao menos dois flatmates novos, o que sera' deveras interessante. O que e' uma grande vantagem e' o fato de que a casa e' muito massa, e fica mais na nossa decidir quem se muda ou nao - quem veio dar uma olhada ficou se controlando pra nao ajoelhar e pedir pra se mudar ONTEM.

Mas, sem gatas, NAO VAI DAR.

[por Francisco Mahfuz] 20:19

bargain, don't pay the price

Como prometido, ja' estou equipado de novo: levemente amuado pela perda da minha camera (ainda nao financeiramente recompensada) decidi que nao valia a pena ser mendigo e economizar numa coisa que eu vou usar por bastante tempo. Alguma procura e uma loja de indianos falcatrua me permitiu adquirir essa camera mais um cartucho de 256mb de memoria por £376 - mais ou menos 30 conto a menos que em qualquer outro lugar. Quando conseguir um esquema para editar as minhas fotos, volto a postar coisas.

E sim, to ganhando o bastante pra me dar a esses luxos (nem tanto, mas agora JA' ERA).

[por Francisco Mahfuz] 20:09

15.12.03

eu ja' sabia

Nunca acreditei que o Gremio fosse cair, ou que o Inter fosse pra Libertadores.

Porra nenhuma. Tava cagado mesmo, admito. Ontem, num raro momento de consciencia, num dos maiores porres que tomei, consegui ligar para meu velho pai que me deu a noticia de que escapamos dessa. Nao estou feliz, so' muito muito aliviado. Hoje ainda consegui ver os gols e parte da repercussao na televisao do hotel, que pega a Rede Record. Milton Neves continua uma mala. Tambem vi o Fernandinho Beira-Mar marcando aquele golaco de falta e o meu amigo Rodrigo Badalotti tomando uma ruim de um seguranca na hora do invasao (ele e' o mais novo dos irmaos que sempre assistem o jogo da beirada da Social).

Agora vamos botar a casa no lugar e mandar esse monte de bunda-mole embora. Nao quero ter que passar sufoco quando voltar.

[por Francisco Mahfuz] 22:28

14.12.03

estar em londres e' uma merda

Hoje, pelo menos.

Lugar de gremista e' no Olimpico.

[por Francisco Mahfuz] 13:51

9.12.03

forgive me, father, for i have sinned

Dimingo pela manha, o pessoal do 49B saiu de comboio (com algumas adicoes) para uma banda no minimo curiosa: ir a igreja. PERAE, nao e' bem assim; fomos numa festa chamada The Church, que funciona no mesmo horario da vilipendiada instituicao. Latas longilineas de cerveja vendidas em quantidade dentro de sacos plasticos eram o combustivel pro que viria depois: putaria no palco.

Fui pro meio do bolor e comecei a me entragolar. Depois que minhas amigas vazarao a informacao dos meus cumpleanos fui atacado por um grupo de australianos que me obrigaram a virar latas inteiras de cerveja e derivados de vodka ate' ficar MAL NA FOTO (obvio que eu nao comi antes, ainda sou guri novo). Um cara com um CARALHO DE BORRACHA e uma TOCA DE NADADOR apareceu e comecou a contar piadas e animar a galera; un rato despues, ella, LA STIPPER. Gata pra caralho - nao peguei.

Mais trago e strippers depois, todas as GURIZAS foram convidadas a subir no palco, e elas foram. Muitas mostraram seus ATRIBUTOS DO AMOR sem nenhuma motivacao maior do que seu proprio exibicionismo - ah, se sempre fosse assim. Uma das minhas amigas foi la', nao se pelou, e ainda perdeu minha camera (que ela portava desde que eu tentei usar a carta de take me upstage, it's my bithday com a ENFERMEIRA DO SEXO). Serei ressarcido e comprarei uma melhor ainda, aguardem fotos magicas.

Na sequencia uma corrida enlouquecida ao RedBack, quando decidi estar bebado demais e voltei pra casa pra ser um pouco sentimental. Se tu nao recebeu uma ligacao foi porque meu dinheiro acabou - ainda te curto, nao fica triste.

Amem.

[por Francisco Mahfuz] 19:44

bando de fiadaputa, nem no meu aniversario

Nao esperem presentes quando eu voltar.

Ah, voces sabem quem sao.

[por Francisco Mahfuz] 19:43

7.12.03

22

Mas com joelhinho de 50.

[por Francisco Mahfuz] 19:10

4.12.03

in it for the ratings

Numa campanha descarada de aumentar os hits tanto da Fraude como os meus, meu editor colocou so' a primeira parte da minha saga nesse glorioso portal do jornalismo indie, devidamente ajeitada com acentos e concordancia (talvez, nem li direito a revisao). Esperamos uma grande expectativa pela segunda parte, a resenha do show, que culminara' num bombardeio de visitas aqui quando eu for novamente linkado.

Quero ser famoso.

(claro que voces ja' leram tudo, entao :-L pra mim).

[por Francisco Mahfuz] 15:28

living in cloud cuckoo land

As baterias na frente do palco eram a pista de que "There There", primeiro single do recente "Hail to the Thief", abriria o show. Varias cançoes novas vieram em seguida, mas o publico parecia conhecer tudo. Thom Yorke aproveitava qualquer oportunidade pra dançar como uma DONINHA EPILETICA, e o piano ia para a frente do palco a cada tres ou quatro musicas, geralmente proporcionando momentos de TERNURA.

Era claro que a banda estava se divertindo tanto quanto nos, especialmente quando o repertorio antigo comecou a aparecer. E eles tocaram "Creep". Ninguem sabia ao certo se gritava ou chorava quando reconheceu as notas, e a expectativa foi aumentando a medida que Johny Greenwood se preparava para O PAI DE TODOS OS CÂN-GÂNS; cada segundo, minuto ou vida de espera compensou - O DIABO LIXANDO AS UNHAS NO AMPLIFICADOR nao faria tanto barulho. Logo apos, vozes assombradas clamaram My god, they actually played "Creep"!

E' um pouco dificil destacar momentos isolados, mas o coro final de "Paranoid Android" e a CASCATA GORDUROSA DE RIFFS de "The Bends" deixaram todos sorrindo de orelha em orelha. Tambem incrivel a facilidade com que a banda sai do peso para o lirismo (vide a inexplicavelmente bela "Like Spinning Plates"), passando pela musica eletronica bailante no caminho - "Idioteque" causou uma pequena rave perto do palco, onde este que vos fala reprensentou orgulhosamente a Dança de New York em terras europeias.

Obviamente faltaram cançoes essenciais, o show so' seria completo se eles tocassem TODO O REPERTORIO. Mas a gratidao constrangida no rosto da banda quando o publico exigiu um segundo bis valeu tudo que o ingresso custou (pra quem realmente pagou, claro). A sensaçao de paz, completude, proporcionada por duas horas de alegria pura, foi exemplarmente definida pela ultima musica: "Everything In Its Right Place".

Regozijai.

(segue a setlist, anotada no meu braço perante olhos curiosos - postarei a foto quando possivel)

· There There
· 2+2=5
· Sit Down. Stand Up
· Where I End And You Begin
· Lucky
· Backdrifts
· I Might Be Wrong
· Myxomatosis
· Creep
· Paranoid Android
· Go To Sleep
· Sail To The Moon
· No Surprises
· The Gloaming
· Just
· Exit Music (For A Film)
· Idioteque
----------- x ----------------
· Like Spinning Plates
· The National Anthem
· A Punch-Up At A Wedding
· How To Disappear Completely
----------- x ----------------
· We Suck Young Blood
· The Bends
· Follow Me Around
· Everything In Its Right Place

[por Francisco Mahfuz] 14:55

how to disappear completely

O grupo de brasileiros reune-se na frente da West Brompton Station, quase todos ja' paramentados com a roupa de pinguim e a gravata borboleta que eu decidi deixar em casa. Fico um pouco a distancia, camuflado pela noite londrina que ja' caiu as 16h30. Quando eles movem-se em direcao ao centro de exibicoes de Earl's Court, eu sigo atras.

Algumas pessoas me reconhecem, entao faco sinais incompreensiveis pra tentar explicar que estou ali NA CAMUFLA. Uma grande fila e' formada, e eu fico pensando em como vou passar pela supervisora da agencia de emprego sem ser descoberto. Pouco antes da minha vez o celular dela toca e eu posso, com a maior cara-dura, declarar: Meu nome e' Edson. A identificacao e' conferida na lista (vou ficar te devendo essa, Alemao), eu ganho uma pulseira azul e rapidamente sumo em direcao ao palco.

Algumas portas erradas depois, encontro a zona central do lugar. Os bares onde eu deveria trabalhar estao sendo preparados, e os segurancas comecam a se espalhar. Depois de poucos minutos reconhecendo a area parece claro que o banheiro e' a unica maneira de passar as proximas horas MOCADO. Ja' prevendo a possibilidade eu truxe um acervo respeitavel de mini-discs e uma recem-comprada copia de "Ecstasy", do mestre Irvine Welsh. Ja' instalado no mictorio, escuto os acordes de "2+2=5" e mando a cautela pro inferno; saio com mochila e tudo, caminho ate' a entrada pras cadeiras laterais, por enquanto ainda aberta. Ali, a 50 metros, em plena "luz" do dia, Thom Yorke e companhia aquecem para o show da noite. Acho melhor nao arriscar e volto pro toalete logo depois, ainda podendo acompanhar os outros trinta minutos da passagem de som.

Quase tres horas depois, ja' tendo certeza de que os portoes haviam sido abertos, me juntei ao povo. Os bares comecavam a ficar cheios, as duas tendas de merchandising tinham longas filas e todas as pracas de alimentacao recebiam movimento constante. A segunda parte do plano ainda era uma incognita: como passar pelos segurancas que pediam ingressos pra entrar na area do show? Caminhando de um lado a outro fui pesquisando minhas opcoes e escutando a excelente banda de abertura, ASIAN DUB FOUNDATION. Bisbilhotando o circulo superior de cadeiras descobri um detalhe magico: a equipe de seguranca usava pulseiras azuis, como a que eu tinha. Ai' percebi que o negocio era chamar no CARTEIRAÇO.

O aviso de que o Radiohead comecaria a tocar em quinze minutos (pontualmente, e' importante ressaltar) foi a minha deixa: desci para a entrada da pista e encarei o primeiro seguranca, que nao me deixou entrar. Na segunda tentativa, escolhi uma mulher, que parecia um pouco nervosa com a multidao que se aproximava, e fui pra cima:

- You need a golden bracelet to get in here.
- I'm in the STAFF ORGANIZATION. Blue bracelet, see?
- Oh, alright, sorry, sorry, go in.


YE.

(Os 20.000 ingressos desse show, custando no minimo £60, estavam esgotados ha' mais de quatro meses, como quase toda a turne europeia da banda)

[por Francisco Mahfuz] 14:22

1.12.03

pra aumentar o ibope

Em breve, o relato completo de como eu dei um DIBLE na seguranca e assisti o Radiohead na beira do palco.

Amanha, talvez.

[por Francisco Mahfuz] 22:01



remember me as a time of day
shared the ramblings of a drinking dog