|
.::truth is in a tall beer::.
|
![]() |
![]() |
divagações, manuscritos e conversas de mesa de bar
29.6.04 the yuppies networkingJá havia presenciado em Londres o fenômeno dos vendedores ambulantes de maconha e suas variedades, especialmente pros lados de Camden - sempre NEGROES. Mas aqui a coisa toma outra proporçao: em cada esquina do centro tem um maluco, de todo tipo possível, oferecendo "HASH, COKE, HEROIN". Entendo alguém desesperado por um DOIS que compre alguma mistura de bosta de vaca com haxixe vagabundo, mas o cara, já idiota o suficiente pra consumir uma coisa trash como heroína, comprar de alguém numa rua suja, em pleno dia? Se bem que também duvido que esses maloqueiros tenham metade do que professam vender. Sei lá também, nao sou comprador interessado, nao me faz nenhuma diferença.Agora o que é massa é o seguinte: por todos os lados, na praia, nas praças, perto de clubes, QUALQUER LUGAR, tu encontra um PAKI (pessoa de origem paquistanesa, obviamente), invariavelmente vestido como FUNCIONÁRIO PÚBLICO, oferecendo CERVEZA-BEER por um mísero euro. Gelada. Sim, parece inacreditável que um magrao com um saquinho plástico cheio possa te conseguir cerveja boa (a única marca que se bebe aqui, quase, que é a local Estrella Damm), gelada e por um preço pouco maior que o do supermercado. Mas é verdade. Um amigo meu, catalao, me disse que considera os pakis um serviço público tao importante como os bombeiros e a polícia. Heh. Eu amo Barcelona.
[por Francisco Mahfuz] 21:01
26.6.04 sou um cara europeuPequena excursao pra fora de Barcelona ontem, em busca de praias melhores - as daqui sao uma coisa meio recente, "criadas" por causa das Olímpiadas (segundo me consta) e nao sao nada além de suficientes pro dia-a-dia (sin embargo, há anos-luz de horrores como Capao da Canoa, ao menos em relaçao ao mar); vinte minutos de trem e as coisas melhoram consideravelmente. Saint Po del Mar, por sugerências de um comparsa, foi a escolhida.Lá chegando um problema: areia GENOCIDA, daquele tipo formado por cristais e coisinhas brilhantes, fofa demais pra andar rápido e ABRASADORA. Quinze minutos foram o suficiente pra eu criar bolhas grosseiras nos pés. Depois de superar esse percalço, a praia mais reclusa mostrou-se, como de costume aqui na Europa, NUDISTA. Algum tempo de hesitaçao e chamei no FODA-SE, lembrando sempre que a vida é feita de experiências, QUASE SEMPRE válidas. PELEI-ME, entonces. Bom HOMEM que sou, carrego aquela abominaçao pelo uso de uma SUNGA, possuindo portanto o clássico BRONZEADO DE BERMUDA. Já faz algum tempo que o resto do meu corpo adquiriu a COR DO PECADO, mas essa área normalmente protegida de minha anatomia mostrava-se invernalmente branca. Aí a dúvida: passo protetor solar no GURI? Decidi que uma queimadura seria de grande desconforto, e enfrentei o embaraço de ESFREGAR CREME NO MEU PAU EM PÚBLICO. A maldade estava só na minha cabeça, provavelmente, mas ainda assim... Algum tempo depois, já entendendo que ficar deitado nu é barbada, decidi DAR O BANHO. Aí pega: caminhar pelado é de uma estranheza profunda, especialmente com aquela BUNDA BRANCA. Mas fui. Flutuando entao naquela paz suprema, LAGOA CONVIDATIVA que é o Mediterrâneo, me dei conta de duas coisas: - A felicidade é simples, fácil, e tem pouco a ver com esse monte de sonhos e objetivos longínquos que passamos a vida buscando; - Boiar pelado nao é o ouro, porque o TICO às vezes dá uma de PERISCÓPIO e se projeta ÁGUA AFORA, e aí é frio PRA CARALHO. Nada como uma tarde de sol, mar e bundas murchas pra gente se sentir filósofo.
[por Francisco Mahfuz] 13:24
23.6.04 regozijai por mimQueria pedir desculpas aê pra pessoa que deve estar TOMANDO UMA RUIM no meu lugar, no maior caso de KARMA INVERTIDO da história. Explico-me: eu, que numa existência virtualmente SEM MÉRITOS já fui agraciado nesses últimos tempos com Radiohead (de graça), Explosions In The Sky (duas vezes), Mogwai, Flaming Lips, Dashboard Confessional, Cursive, Ataris, Massive Attack, Broken Social Scene (duas vezes) e outros, agora recebo essa dádiva indizível.Sentirei falta da companhia extremada e irônica do judeu narigudo, mas tentarei fazer o melhor da ocasiao e dar um beijo naquela careca. Mais do que nunca, IREI.
[por Francisco Mahfuz] 15:25
21.6.04 pra nunca mais querer festaSem nem contar que nao bastava o Sónar DE Noche ter sido esse TURBILHAO DE ALEGRIA, mal acabou o treco e começava o Anti-Sónar no parque logo ao lado.Foi como uma gigantesca squat-party, dessas raves clandestinas comuns em Londres, só que começou pela manha e foi dia adentro. Mais de 8 "palcos" diferentes e milhares de pessoas que decidiram que seis horas seguidas dançando nao eram suficientes. Eu fui uma delas. Entre pular de um lado a outro, conhecer gente de tudo que é lugar e correr até um mercadinho comprar dúzias de cerveja barata, fiquei lá até às TRÊS DA TARDE. Caralho, mais de 26 horas acordado, desde à meia-noite NA FUNÇAO. Que bom que é só uma vez por ano, o corpo véio tá aqui IMPLORANDO por descanso. Só praia e suco pela próxima semana - que sábado é Dia de Sant Joan, e já me informaram que serei COLOCADO PRA DENTRO duma festa na praia com 10 mil pessoas em que um amigo meu vai tocar. Europa é assim, vivendo a vida em CAPS LOCK. UPDATE: PORRA. Acabo de descobrir que a festa nao é sábado, mas amanha, quarta-feira. Meu fígado JÁ ERA.
[por Francisco Mahfuz] 16:55
dá-dá-dá uma quebradinhaTrês brasileiros, além do Patife maloqueiro, tocaram na primeira noite, mas quero só destacar um deles: DJ Malboro. Eu, que nao tinha lido o programa da noite, nao tinha nem idéia do que podia ser. Drum'n'bass, talvez, que é o que a maioria toca, sei lá. Mas nao. Era FUNK. Sim, AQUELE funk. O público internacional do Sónar foi presenteado com o "Tapinha", "Chatuba de Mesquita" e outras pérolas do cancioneiro carioca.Li depois o programa e ali dizia brazilian funk, a kind of booty bass, what is played in the favelas from Rio. Vixe Maria. E o pior foi que eu gostei.
[por Francisco Mahfuz] 16:48
i take the force of the blowA maior atraçao da noite de sábado era o Massive Attack, provável grande motivo do superlotamento temprano do Sónar (11 e pouco e já formavam-se filas quilométricas, tanto pro bus como pra entrada) - mesmo com o milagre relatado abaixo ainda perdi umas duas ou três músicas. Existe uma tradiçao que o maior dos eventos é sempre o mais decepcionante, e talvez tenha sido um pouco assim esse show.Nao sei se eu esperava demais ou os caras simplesmente tocaram muito do seu último álbum (notoriamente bem mais fraco que obras-primas como o "Blue Lines" e o "Mezzanine"), mas nao chegou a rolar grande exaltamento. O que eles fazem bem ainda é muito bom, e os clássicos como "Karmacoma" e "Teardrop" foram incríveis, assim como quase tudo do "Mezzanine", mas foi só. Talvez fosse dificíl agradar quem foi lá pra dançar e pular e recebeu baixos cavernosos e vocais sussurrantes, mas algo nao funcionou, nao houve grande interaçao com o resto do público. Eu fiquei satisfeito, sorri com vontade vez que outra, mas foi isso. Se tivesse pago a grana do ingresso só pra ver eles garanto que teria ficado um pouco arrependido. Menos mal que tinha BEM mais coisa depois.
[por Francisco Mahfuz] 16:42
quem nao chora nao mamaRateei bonito no sábado. Sabia que era a noite mais movimentada, quiçá do ano inteiro em Barcelona, e aceitei a história de esperar o resto da casa (n.do e. italianos malditos) pra sair. Há duas quadras de onde estávamos passava o BUS SÓNAR, que levava até o lugar por um preço camarada, e saía a cada cinco minutos mais ou menos. Mas, como a quantidade de gente querendo ir de barbada era absurda, rolou uma fila impressionante de umas duzentas pessoas esperando pra embarcar. Desesperados pois só faltava uma hora pro show, tentamos pegar um táxi, o que se mostrou impossível. Quinze minutos de tentativa e vimos que nao tinha como, era melhor mesmo voltar pra fila e esperar.Faltando vinte minutos o desepero começou a bater, e a Olga, venezuelana parceira que estava conosco correu até a frente da fila, onde um dos cobradores acabava de avisar que ninguém mais entrava naquele ônibus. Meu bom amigo Gabriel Manjubinha foi atrás dela e eu, sem saber bem o que acontecia, fui atrás. Procuro um pouco e vejo os dois entrando no ônibus e sem nem pensar entro junto, para o protesto de quem estava na fila e tinha acabado de ser barrado. O motorista deu a partida e me explicaram o que se passou. Olga chorou pro cobrador dizendo que tinha comprado os ingressos há muito tempo, que se nao fosse naquele bus perderia o show, e que aí se matava de desespero. O cara se compadeceu, e aceitou que ela levasse seus amigos - no caso eu e o Gabriel. Meio sacanagem do cara com quem já estava na fila, mas eu nao ia recusar esse PRESENTE DIVINO. Como castigo irônico dos céus, o resto do nosso pessoal que estava na fila e de certa forma causou o atraso por querer se embebedar (n.do e. italianos malditos) ficou pra trás, e deve ter perdido quase tudo. Mas te falo de PASSAR DE RASPAO, hein?
[por Francisco Mahfuz] 16:26
days of being clubberAgora as noites de sexta e sábado, MERMAO, vou te dizer: PUTA QUE PARIU. Essa foi a minha reaçao do princípio ao fim, e ainda me encontro um pouco impressionado.O lugar, pra começar, era um espetáculo por si só: três saloes enormes, mas grandes mesmo, maiores que qualquer um que eu já tenha visto. O menor, Sónar Park, era um pouco maior que o tesourinha; o principal, Sónar Club, quase duas vezes o anterior; e o Sónar Pub, ao ar livre, era do tamanho de um campo de futebol. Canhoes de luz potentes, som alto e com isolamento perfeito (os palcos eram praticamente colados e nao se ouvia nada vazando de um lado a outro) e um público de mais ou menos 20 MIL PESSOAS cada noite (sem nem contar quem usou o monte de entradas falsas que eu sei que estavam por aí) justificaram o que um jornal disse sobre o Sónar De Noche: simplesmente o maior clube do mundo. A seleçao de djs nao contou com nomes tao famosos como há alguns anos atrás, mas ainda tinha muita gente boa: Jeff Mills, Dave Clark, Miss Kittin (uma baita TETÉIA, botava o som e ficava rebolando, alegria da galera), DJ Hell, 2 Many DJs, Richard X, Richie Hawtin vs Ricardo Villalobos, Roots Manuva, So Solid Crew, Patife e, claro, Massive Attack (detalhes a seguir). Rolou um OVERLAP de coisas boas e nao consegui ver tudo que queria, mas ainda assim, MARAVILHA. Pra tirar do corpo toda vontade que acumulei na Alemanha de BOMBAR NA NOITE.
[por Francisco Mahfuz] 16:08
bach would not be happyA primeira noite, quinta-feira, nao tinha festa mas apresentava uma atraçao diferenciada, que muito prometia: a Orquestra Sinfônica de Barcelona tocando obras clássicas e contemporâneas, com a "intromissao sonora" de djs escolhidos a dedo: Fennesz, Pan Sonic e Ryuchi Sakamoto, ganhador do Oscar pela trilha do "Último Imperador".Acabou nao sendo tao bom como poderia. Nao sei se as peças escolhidas eram as mais adequadas, mas pareceu que os djs estavam receosos de realmente modificar o som da orquestra, limitando-se a ruídos incidentais e estática às vezes irritante. Uma pena, pois a proposta era interessante e os participantes tinham potencial para bem mais. Ao menos foi uma noite de música clássica boa, coisa que nao me lembro de ter tido antes.
[por Francisco Mahfuz] 15:59
when they ask me if i've been to prision i tell them i'm still trying to get outO evento reuniu na sua ediçao diurna (quinta, sexta e sábado) aproximadamente 16.000 pessoas por dia. Quatro palcos distintos, três ao ar livre, uma infinidade de djs e bandas com alguma vertente eletrônica. Alguns destaques:-Micro Audio Waves (Portugal), uma mina cantando, grandes melodias e até uma guitarreira ousada de quando em quando; -Dani Siciliano (US), mulher do dj Matthew Herbert, um som bem tranqüilo na sua maioria, downtempo de primeira, praqueles momentos de reunir os amigos e beber na boa, grande presença de palco (entenda-se MEZZO GATA); -Client DJs, duas gurias vestidas de mecânico (ou enfermeira de azul, sei lá), mandando bem no ELECTRO, que é uma versao um pouco mais dançante do tipo de som que tocava o Joy Division, por exemplo (que elas, por sinal, tocaram); -Hextatic, talvez a maior surpresa de todas as tardes: um dj divertidíssimo (remixagens de 50 Cent, Queen e Nancy Sinatra), que se destacou nao só pela seleçao musical como pelo uso de uma tecnologia inovadora e ainda pouco conhecida, DVD SCRATCHING. Funciona mais ou menos assim: ele toca com às vezes com discos e tem dvds projetando imagens e clipes no telao. Quando ele faz o scratch no dvd, a imagem volta e vai de novo como se fosse um disco normal; se ele está tocando o som pelo dvd também tudo vai e volta. Ele fez isso com alguns clipes, inclusive com um de uns negroes tocando berimbau e um CABOCLO VELHO cantando qualquer coisa ininteligível - Brasil sempre nas cabeças. Além disso, tinha um cara filmando tudo que ele fazia, mas a câmera tinha um FILTRO DE COGUMELOS, porque tudo chegava no telao com cores diferentes, reflexos e MACONHICES diversas. Era pra ser muito mais uma demonstraçao da tecnologia que qualquer coisa mais, mas foi de grande poder ENTRETENEDOR. -"Bodysong", um curta meio grosse de imagens amadoras sobre o MILAGRE DO NASCIMENTO: cenas fortíssimas de nenês CABECEANDO seu lugar no mundo e maes sofrendo a DOR SUBLIME - a trilha sonora era do mestre JONNY GREENWOOD, guitarrista da melhor banda do mundo. Bancas de cerveja e REFRESCOS, muito material distribuído gratuitamente (revistas de música, principalmente), e a grande curiosidade provocada pela reuniao de um monte de gente de várias nacionalidades e problemas psicológicos diversos - uma espécie de PLANETA ATLÂNTIDA CLUBBER. O calor escaldante fez com que muita gente passasse o tempo todo deitado na grama artificial, semi-nu, COLORANDO-SE. Alguns buscaram com cuidado o melhor dj, a melhor exibiçao, até alguma palestra interessante. Eu fiquei no meio-termo. Uma coisa que achei bem legal foi que, ao contrário da maioria de festivais/eventos, era possível sair e entrar a qualquer momento, e nao havia nenhuma restriçao quanto a trazer comida e bebida de fora - ao invés de pagar 1,50 por uma garrafinha d'água, eu saía por uma quadra e metia, pelo mesmo preço, um litrao e meio do ELIXIR DA VIDA. E trazia cerveja gelada, de vez em quando. Nos primeiros dois dias o tempo estava, como de costume aqui em Barna, perfeito: céu completamente azul e um calor FELADASPUTA, o que tornava mais divertido ainda a OPEN AIR RAVE que rolava sempre que os djs eram bons. E as noites eram ainda melhores.
[por Francisco Mahfuz] 13:10
sonic youthVoltei. Os posts que seguem sao o meu modesto DOSSIÊ SÓNAR 2004, "Festival de música avançada e multimídia", que me manteve ocupado por esses últimos dias. Aconteceu bastante coisa divertida, bastante coisa curiosa e o interesse pelas novidades valeu ter programado minha vinda pra cá nessa data. Além das maiores festas que já participei, folgado. Haverá algo pra todos os gostos, espero eu. Daqui pra cima esse é o esquema.
[por Francisco Mahfuz] 12:47
13.6.04 é o mulletEnquanto as mulheres de Barcelona fazem o vivente se segurar toda hora pra nao gritar um AND I SAW HER FACE, I'M A BELIEVER, os homens sao uma vergonha. Claro, é praia, impossível nao ver as legioes de figuras que se BOMBAM AO INFINITO, mas quero só chamar a atençao ao DETALHE CAPILAR:a moda aqui é o MULLET. Sim, parece difícil de acreditar, mas é fato. Cabelo nao só curto na frente como raspado às vezes, e aquele crista crescendo por trás, com rastas de vez em quando. Chega a ter o clássico MULLET CHORORÓ, que atinge grades comprimentos. Triste. E acho que o pior de tudo é que já escutei de brasileiros aqui que depois de um tempo coomecei a achar massa, penso em fazer um igual. E eu sigo assim, rindo sozinho.
[por Francisco Mahfuz] 10:53
11.6.04 a vida nao pode ser só praia, restaurante e sangriaAté pode, mas aí seria um certo desperdício cultural; e, mesmo com a repúdia do Nego, eu quero ser um cara culto. Entao já fiz algum turismo hoje.Numa interminável banda pela cidade (uma sensaçao estranha de ser tudo realmente perto, os mapas têm uma escala enganosa) passei na frente de vários pontos clássicos, entre eles a Pedreira e a Sagrada Família (pagarei pra entrar quando minha COMPANHEIRA aqui chegar, domingo), além do TEMPLO DA CARNIFICINA - a Arena Monumental das Touradas (que, por extremo bom-gosto e humanidade, nao fazem nenhum sucesso em Barça). Alguns parques interessantíssimos, como o Parc da Ciutadella (porra, que coisa bem bonita o Palácio ali no meio, com as fontes e os dragoes cuspindo água) e alamedas cada vez mais obscuras no Barri Gòtic. Tudo a pé. Encontrei a Salvador França também, disfarçada de Avinguda Meridiana. O cheiro de haxixe, que é uma merda, está em todos os lugares. A impressao inicial das GATAS LOUCURA nao só continua como começa a irritar. Deu, por favor, já é meio tortura. Eu e meus COMPADRES temos um ponto fixo na praia, do lado de um barzinho onde um amigo trabalha, além de outros brasileiros gente boa. Eu tinha esquecido como era bom o mar, e esse daqui é verde e limpo, tipo Santa nos bons dias. Com peitos de fora (sim FOTOS, já sei - estamos trabalhando nisso). Informo para interesse de ninguém, provavelmente, que em alguns dias terei A COR DO VERAO. DE repente até meto uma praia de nudismo aí, PRA APAVORAR. Vi uma cena GROSSE: um policial de moto PASSANDO POR CIMA das bancas de camelô com cds falsificados e óculos vagabundos. Eles botam no chao, perto da praia, e o cara nao teve nenhum dó, destruiu tudo. Um dos caras fugiu e o outro ainda tomou uma ruim do HOMEM DA LEI. Me deu certa pena. Os planos para o resto das minhas intermináveis férias vao de vento em popa, e os manterei informados logo que algo se concretizar. Mas uma pequena estada na França já é certa, falta só definir se Paris ou outro desses PICOS CHIQUES - UI, DESCULPA. O tempo aqui se vai e eu com ele. Adieu.
[por Francisco Mahfuz] 21:58
9.6.04 um coqueirinho e um monte de tetaEssa elegante frase foi proferida por Marcelo, um de meus anfitrioes em Barcelona, quando de uma reflexao sobre suas condiçoes paisagísticas no subemprego que exerce na beira da praia - de certa forma reflete também o clima geral da cidade logo na chegada. Mas deixa eu ir com calma.Mais uma entrada tranquila, dessa vez nem passaporte me pediram (isso ou eu saí pela porta errada, dando um GODÔ acidental na segurança do aeroporto). Logo na chegada da cidade acreditei estar de volta em Porto Alegre - a avenida era a cara da Borges de Medeiros, sem tirar nem pôr. Já identifiquei a Cidade Baixa, parcialmente, e procuro avidamente a SORVETERIA JÓIA pelas esquinas. Hei de encontrar. No primeiro metrô alguns eventos interessantes: -o corredor era realmente longuíssimo no Passeig de Gràcia, e as pichaçoes confirmavam que EL CAMINO NO ACABA NUNCA. Bizarro, dez minutos em linha reta sem ver o final. -rola uma contagem regressiva pra avisar da chegada do próximo trem, e quando está perto dos vinte segundos o bólido de metal vem gritando e o monitor anuncia ENTRA; pensei que VAI seria mais apropriado no quesito divertimento, mas deixa pra lá. -as estaçoes se sucedem a cada quatro minutos, comprovando que essa é uma cidade de bem menor MAGNITUDE que Londres. -aqui, ao contrário da Alemanha, as pessoas PARECEM ESPANHOLAS. A casa onde estou fica no coraçao do Bairro Gótico, na Plaza Reial, do lado das Ramblas (uma rua interminável com um interessante passeio de pedestres, artistas urbanos e restaurantezinhos). NO MEIO DA BAGUNÇA. A noite aqui é forte, exigente: aterrisei numa terça e já ficamos na boa até umas três da matina por aí, sem nem procurar muito. Reza a lenda que nos finais de semana as coisas COMEÇAM por essa hora. Hm. Nesse primeiro DIA aqui, uma grande aproveitamento no que concerne a ALEGRIA DE VIVER. Algumas boas horas na praia, mar verde verde, água fria mas nada preocupante, e TOPLESS. Sim, nao era boato. Mas, pra minha surpresa, macho truculento que sou, já pareceu meio natural depois de um tempo. Se bem que os constantes ruídos no rádio do salva-vidas (que nao tem nada pra fazer considerando que o mar é uma LAGOA PARCÊRA) fizeram eu e meu bom amigo Gabriel Peruca (finalmente justificando o apelido agora que porta MELENAS TROIANAS) suspeitar fortemente que ele tava só dando recados como MIRA LOS PECHOS DE LA MORENA EN LA IZQUIERDA ou ainda DIOS MIO, QUE CULO. Nós, civilizados, respeitamos todas as moças que passaram à nossa frente exibindo sua FORMOSURA. O que me leva ao que seja talvez o assunto principal desse post. Eu sempre defendi a SUPREMACIA SUL-BRASILEIRA no quesito YARDE OF BLONDE GIRLS, especialmente de lugares como a Praia do Rosa ou a Guarda do Embaú, onde é sabido que nao se pode caminhar sem PISAR NUMA GOSTOSA (apudBruno Galera). Mas, TCHÊ, isso aqui tá uma coisa de louco. Em todos os lugares, de todos os tipos, sempre com aquela coisa FASHION das espanholas e italianas - e algumas DE PEITO DE FORA, eu ainda diria, se esquecesse de ser um educado CIDADAO DO MUNDO. E olha que Barcelona é uma grande metrópole, com pessoas que aqui permanentemente habitam, e nao só uma CONVOLUÇAO CÓSMICA E TEMPORÁRIA de circunstâncias para o FLORESCIMENTO DE BELDADES, como é o caso do litoral catarina, que notoriamente nao existiria sem as moças que do sul MIGRAM. Mas a minha DONA chega aqui em alguns dias, entao só estou ELUCIDANDO esse ponto para o ENRIQUECIMENTO CULTURAL dos meus leitores. Bom, depois de essas horas bem passadas em SANTA, fomos atrás de uma refeiçao. Num lugar pequeno, jeito de boteco aqui perto de casa, descobri que isso aqui é o PARAÍSO. Entradas generosas, graçons grosseiros o suficiente para nos divertir sem incomodar, peixes bem temperados, pao com coisas, e uma JARRA de sangria (vinho com limao, laranja e cointreau, tem gosto de caipirinha de vinho - MARAVILHA, e olha que eu nem gosto desse PRODUTO DA UVA). Grande momento CULINÁRIO-CULTURAL. Posto aqui enquanto luto contra a vontade de uma SIESTA tardia, mas agora devo descansar. A noite deve ser forte, DAQUI HÁ UMAS SEIS HORAS. Hasta luego.
[por Francisco Mahfuz] 19:13
8.6.04 for now we toastAlemanha já era, entao. Grande aprendizado, com certeza. Pude sentir como seria ter uma vida calma, organizada, e admito que gostei. Quando da minha futura volta à Londres tentarei reproduzir algo desse ar de REALIDADE que permeou minha estada em Heidelberg.Fica aqui um agradecimento sincero à minha anfitria Saskia Landmann, uma das melhores pessoas que já conheci no quesito BONDADE NA ALMA E SORRISO NA CARA. Me agüentou por quase um mês na sua casa sempre se desbobrando para que eu me sentisse confortável. Quando quiser chegar em Londres de novo o teu lugar tá guardado, morena. Aqui o tempo já se mostrava glorioso, e meus INFORMANTES na Espanha dizem que lá é 35° PRA CIMA. Dedicarei parte de meus dias na busca daquela tonalidade MARROM-BOMBOM, pois, como já constatado aqui, NEGRO É LINDO. Entre festivais, praia, visita da minha SENHORA e atividades culturais e etílicas diversas, deve ser um mês cheio. Os planos para a viagem de van aos poucos vao sendo delineados, e nesse embalo eu vou, sempre atrás de novas modalidades da ALEGRIA DE VIVER. Cada vez mais fácil, cada vez mais simples. Amanha, MIGRAREI. Quando possível, mais notícias. Or we could simply pack our bags And catch a plane to Barcelona 'cause this city's a drag I may take a holiday in Spain Leave my wings behind me Flush my worries down the drain And fly away to somewhere new "Holiday in Spain", Counting Crows
[por Francisco Mahfuz] 00:55
alimentem meu egoNum momento de grande lucidez, os organizadores do Photoblog tiraram a proibicao boba que só permitia que usuários comentassem as fotos.Portanto, vai lá e me xinga.
[por Francisco Mahfuz] 00:37
5.6.04 últimos versos teusEu cansei.Esse balé de cadáveres não me encanta mais. Os monólogos que ensaiamos perderam o sentido, a cadência. Prefiro a carência a me enganar que teus lábios ainda têm o mesmo gosto. Esquece tudo que falei, os planos, o futuro; não eram mais que verdades, impermanentes como qualquer outra verdade. Tudo acaba, tu não sabia? As cartas, as flores, os susurros, os corpos que pedem um pelo outro, as explicações. Não te amo mais. Não te amo mais. Aquela vez te pedi um beijo e tu me deu. Aquela vez te pedi uma noite e tu me deu. Aquela vez te pedi a tua vida, e tu me deu, mas só um pouco. Eu pensei nos nomes dos nossos filhos, na nossa casa, em tudo que eu aprendi ser a felicidade. Minhas lições eram falsas, procurei e acabei por nada encontrar. Onde eu errei? Onde tu errou? Nao restou nada que tu não conhecesse, nada que eu tenha guardado embaixo da cama e alimentado escondido. O que sobrou para te enfeitiçar? Amor não é essa valsa de notas perfeitas, passos seguros, evoluções marcadas. Eu sangro, bebo, choro, nem só por ti, nem só por ti. Acordo com dores nas costas, carregar tuas ilusões me mata de pouco em pouco. Chove, não há mais poesia na tempestade. É só agua e luz. É só vento. É só. Não te amo mais. Não te amo mais. Às vezes lembro de ti. Teus cabelos desarrumados, teu rosto no meu peito, teu suor, tua entrega. As cicatrizes das tuas mordidas ainda estão aqui. As cicatrizes das minhas lágrimas também. Te sonhava todos os dias, cada vez mais linda, cada vez menos real. Por que me deixaste acordar? Os bêbados me entendem, os loucos, os religiosos. Eles também buscam algo além dessa mesmice que nos leva adiante na inércia triste da conformidade. Enquanto nada mais parecia importar tu foi minha cocaína, meu nirvana. Minhas narinas hoje queimam sempre que tento transcender, sempre que ouso qualquer coisa mais. Não te amo mais. Não te amo mais. A primavera é sempre pior. Cada nova flor, cada novo amor é outro engano, outra chance de acreditar em algo que nao está lá. Caminho distraído na sombra das árvores. Amigos conversam, cães ladram, carros gritam. Eu sou feito de silêncio. Minha pele queima, essa bola de fogo cruel não me deixa abrir os olhos. Eu vejo tudo claramente, e sorrio. Sorrio diante do que tanto tempo neguei, do que tanto temi. A certeza vem assim, com a brisa. Não te amo mais. Não amo mais. Mas finjo que sim, ou não sei mais quem eu sou.
[por Francisco Mahfuz] 18:50
4.6.04 eu sambo mesmoGringo adora o Brasil. Amam de paixao, mesmo. Em Londres ao menos duas das maiores lojas de departamentos estavam tendo um "mês brasileiro" (maior aglomeracao de imigrantes ilegais que já vi desde que saí de casa), e aqui mesmo na Alemanha nao caminho um dia na rua sem enxergar aquela camiseta falcatrua, amarela com detalhes em verde, e o nome do país bem grande no peito (sim, eu tenho uma igual, mas eu SOU DE LÁ). Mais do que tudo isso, adoram música brasileira, mas nao qualquer música: tem que PARECER brasileira.Eu poderia citar dois TIOS que mandam muito e fazem grande sucesso por aqui, como o Joao Gilberto e o Ben Jor, mas esses sao confirmados há muito tempo. Entao falo duma guria que eu descobri por acaso num dos cds que vagavam pela CASA: Rosália de Souza, "Garota Moderna". Algumas resenhas chamam de new bossa nova, ou new jazz, ou brazilian lounge; nao faz diferenca. É um som gostosinho, leve, algumas versoes de coisas mais antigas, outras inéditas, sucesso irrefutável além-mar. O único cd trazido de Londres que já encontra moradia em três ou quatro lares país afora, e a lista tende a aumentar na Espanha. Triste só que sempre tem alguém que me pede pra sambar.
[por Francisco Mahfuz] 15:12
1.6.04 negro é lindoÚltima semana aqui, grande validade nesse tempo longe do redemoinho incessante que é Londres pra organizar idéias, planos e promessas. Nao postei tanto como poderia (acesso livre e rápido à internet) talvez por nao querer entediar meus fiéis leitores com histórias de hoje fui mais uma vez ao parque e fiquei lendo enquanto tomava sol, talvez porque sei que nao é bom acostumar-vos com um ritmo incessante de notícas quando estou próximo de parcialmente desaparecer na Espanha - imagino visitas cada vez mais esparsas à internet depois da minha saída da Alemanha. Veremos, costumo me enganar sobre essas coisas.Nesses últimos dias destaco tardes de sol REVELADORAS e uma visita a um festival de cultura africana, onde descobri que seria um RASTAFARI MASSA. Infinidade de vídeos e fotos, a serem disponibilizados talvez nunca, talvez só quando da minha ainda distante e indefinida volta. O que vem a seguir é incerto, a viagem de KOMBI enfrenta dificuldades de planejamento, datas, participantes - mas vou deixar na mao de JAH, que ele é o cara. Meditarei sobre toda essa calma e tranqüilidade de Heidelberg enquanto me preparo para a DESTRUIÇAO SUBLIME que se dará em Barcelona, já que TIGROES de todos os lados migram ao mesmo tempo que eu pra garantir uma PATOTA de respeito pra ACHACAR minas de topless. E toda aquela cultura, claro, que nem só de festa e mulher se vive. Acho.
[por Francisco Mahfuz] 15:44
literatura para as massasMovido pela curiosidade e a falta de outros livros em inglês nesta casa que temporariamente habito, decidi ler o primeiro livro da série Harry Potter. Acabou sendo bem melhor do que eu esperava.Ao contrário da abominaçao que é O Alquimista, mistura de livro de auto-ajuda com parábola bíblica, J.K. Rowling nao tenta nada além de uma história leve, divertida, que vai encantar criancas e entreter adultos, mesmo que brevemente (li todas as 330 páginas em algumas horas, tal a simplicidade da linguagem) - nada além disso. Nao pensei por um segundo no livro depois de terminar, mas me manteve agradavalmente ocupado, o que já é mais do que posso dizer de muita coisa que passa como "boa literatura". Nao gastarei meu dinheiro fazendo aquisiçoes, mas se alguém tiver os outros pra emprestar tô fazendo a mao aê. (Coberto de alguma vergonha vou ali na minha mala pegar mais um do Cortázar e ver se me sinto culto de novo.)
[por Francisco Mahfuz] 15:24
|
![]() |