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30.7.04

easy riders

Ja cansei da França. Biarritz, bem no sul, ta se mostrando uma cidade divertida e GATA, grande acampamento com piscina e tudo, mas nao ganho muito mais ficando aqui. Em alguns dias chegamos no Pais Basco, e a Espanha é outra coisa. Depois ainda nao sabemos; o mar esta FLAT e o Daniel ja declarou que nao quer ficar eternamente ESPERANDO A SUA SERIE, entao se logo logo o surfe nao melhorar vamos reverter a ordem da viagem e ir buscar a DESTRUIçAO SUBLIME de Barcelona e, se tudo der certo, IBIZA. Em tres ou quatro dias isso deve estar decidido.

No mais, sigo aproveitando esse sol europeu pra me NIGGERIFY (como diz o Tony), ver uns peitos e nao fazer nada de muito util. As saudades de Londres aumentam aos poucos, especialmente por que minha comunicaçao com a minha grande amiga Mariana e a minha ESPOSA andam dificil, tudo aqui é caro. Mas ainda nao é hora.

Sejam felizes, que pra mim aqui ta cada vez mais facil.

[por Francisco Mahfuz] 16:25

21.7.04

imprevistos

As malas do Felipe nao chegaram junto com ele, e o Henrique e o Diego desistiram de ir com a gente pro sul, o que dificultou o planejamento logistico - eles acompanhariam nossa anfitria Charlotte em outro carro, e permitiriam que todos da van pudessem ali dentro dormir. Ainda assim, no pasa nada. Fomos até o Palacio de Versailles ontem (belissimos jardins) e hoje devemos largar de vez pra Bordeaux, EM BUSCA DO SURFE - ja fui intimado pelo Daniel a tentar com uma prancha daquelas enormes, aparentemente mais facil; se tiver algum sucesso passarei parafina no cabelo e virarei marrento (apesar de sentir que vou mesmo sentar na prancha e "esperar a minha série" indefinidamente).

E espero nao ter mais acesso à internet tao cedo, que cidades grandes começam a cansar quando a praia chama o tempo todo.

Hang loose, bros.

[por Francisco Mahfuz] 10:47

18.7.04

the nutella way of life

Paris é realmente bonita, e impressiona mais por ser uma cidade tao grande. Infelizmente, a internet é carissima, entao digo aqui o que puder, tomando uma surra desse teclado estranho:

- comida cara; da pra se virar com crepes e kebabs, mas restaurantes sao financeiramente dolorosos;
- quarta foi Dia da Bastilha - Torre Eiffel iluminada de varias cores, fogos de artificio legais, orquestra tocando, a morte chegando perto ao quase ser esmagado no metro;
- meu frances é terrivel, estou muito perto de desistir e so falar ingles, admitindo que sim, sou um turistinha mesmo;
- Catedral de Notre Dame é legal, bem soturna, mas nada muito diferente da maioria das catedrais;
- retiraram o busto do Jim Morrisson do cemitério: MERDA.
- o Museu do Louvre é impressionante, mas nao é meu tipo de arte - nao entendo o que veem na Mona Lisa, na boa (o Codigo de Hamurabi foi massa);
- o Centro de Arte Georges Pompidou é uma das obras mais interessantes que eu vi aqui na Europa;
- a Torre é legal, paguei pra ir até o topo, grande vista, mas acho meio cafona a iluminaçao à noite;
- ja sinto falta da praia - hoje o Daniel chegou com o Henrique e o Cigarro, e nos mandamos pra estrada e pro sul do pais terça - UHU.

Por enquanto era isso; bon soir.

[por Francisco Mahfuz] 01:03

12.7.04

que fuerte, tío

Estranho como nos habituamos aos lugares; eu nunca senti uma forte relaçao de familiaridade com Porto Alegre, mas desde que saí já considero várias cidades como uma segunda casa (mesmo nao sabendo direito qual é a primeira): Londres, Heidelberg e agora Barcelona. Das três, essa última foi a mais fácil, sem dúvida nenhuma. A língua, que me agrada sobremaneira, a culinária, o clima, as pessoas... nao tem do que nao gostar, pra falar a verdade. Soma-se tudo isso ao fato de que eu sempre quis vir pra cá, o objetivo original quando decidi sair do Brasil era vir morar em Barna. O problema é que já sinto uma certa nostalgia, e penso repetidamente como tudo parece tao rotineiro, tao entranhado na minha cabeça que é como se eu estivesse aqui há anos. O incessante ritmo da Plaça Reial, os artistas das Ramblas, caçar um paki no meio da madrugada pra comprar uma cerveza-beer, as ruelas e becos do Barri Gòtic que por tanto tempo me abrigaram; trilhar o interminável túnel do Passeig de Gràcia, e sempre chorar de rir ao ver pixado na parede AIXÓ ÈS UN PUTU TÚNEL; caminhar pelos calçadoes, passar o Port Vell, o monumento de Lichtenstein, admirar os peitos se multiplicando e ver que Bogatell está logo ali, pra depois beber Martinis de graça no Chiringuito Heat com os empregados mais figura da praia e fazer piadas sobre toda essa gente desnuda; pular de uma festa à outra até o amanhecer chegar, sempre mais cedo do que eu gostaria, e pegar o metrô até Fontana onde morei sozinho por uma semana; apesar dos meus esforços de nao fazer muito turismo me deparar com a arquitetura espetacular e maconheira do Gaudí esquina depois de esquina; comer bem e barato no Romesco e no Pollo Rico, me divertindo com a sangria e a absoluta falta de educaçao dos garçons (melhores restaurantes sao assim, comer rindo é o segredo); beber quase todas as noites no El 24 e usufruir da sua "cozinha mediterrânea" (até parece, só se eu nao conhecesse os cozinheiros e soubesse que é tudo congelado); a noite, incansável, exigente, ah, a noite de Barcelona. E, por supuesto, as GATAS.

Tenho muito a agradecer a todos que me acompanharam aqui, especialmente ao grande Gabriel e seus amigos que me acolheram sem reservas (Juan THE WHITE RASTA, meu destaque) e ao maravilhoso casal Hélio e Teresa, que me trataram como um filho (valeu, pai, tu ainda tem os melhores contatos); todos eles foram responsáveis diretos pra que eu aproveitasse minha estada ao máximo, nao como turista alucinado, mas como PESSOA. Saio hoje com a certeza de que voltarei, e sei que levo muito do que aqui vivi na memória e no coraçao, pra sempre.

Barcelona, adeu y muchas gracias; me pasé DE PUTA MADRE.

[por Francisco Mahfuz] 13:03

7.7.04

charlotte sometimes

Momento caótico dos meus planejamentos DE VIDA (novidades fortes, talvez pra breve, talvez pra nunca, talvez isso seja só pra deixar vocês curiosos), mas mando aqui o que já está líquido e certo: OUI, MONSIEUR, tô largando pra França. Dia 12 pela noite estarei ali, me reencontrando finalmente com a minha MUSA e COMPANHEIRA Emily Johns para uma semana de turismo leve e amor intenso. Durante esses dias reencontraremos a queridíssima Charlotte Martin, que morou até há pouco em Shepherd's Bush e no coraçao do Henrique (heh). Jantares, festas e talvez até um arrego que quartos de albergue estao muito caros e eu nao trabalho FAZ TEMPO.

Depois o bicho pega: pelo dia 16 meu IRMAO MAIS VELHO Daniel Gavin Stephens, provavelmente com o já mencionado Lique, chega rasgando distâncias na LOVE-VAN; mais uns dias e outro amigo nosso vem do Brasil, e mais gente já se habilita pra essa viagem que MARCARÁ ÉPOCA. Desceremos a costa pra estar em Biarritz (nao tinha um bar ali perto da Goethe com esse nome?) dia 26, quando SHTONY DePerio aterrisa em solo francês.

Depois? Ninguém sabe. Como a van tem lugar pra dormir toda essa negrada (ou quase), nao precisamos nos preocupar com nada que nao seja GASOLINA E CERVEJA. Como o Daniel sabiamente colocou, do alto dos seus récem-completados 29 anos, o itinerário será discutido over a few beers, at campfires, on the road. Maravilha, maravilha. Mas o mais provável é que seja sempre sul, passando reto pela Espanha e parando em Portugal, talvez até Marrocos - quando eu devo abandonar o grupo pra chegar em Londres a tempo disso aqui.

Me digam algo triste ou eu nao paro mais de sorrir.

[por Francisco Mahfuz] 20:09

6.7.04

o tempo deve parar

Há uma cidade que nunca conhecerei
Há um livro que deixarei pela metade
Há uma história que não será escrita

Hoje pela manhã vi um rato na cozinha
Parece que foi há anos atrás

Ajudo uma menina a carregar suas malas e lembro de ti
Flutuo no mar, à deriva, e lembro de ti
Chove, não busco abrigo, caminho até estar encharcado, lembrando de ti
Sempre lembrando de ti
Se tudo que tenho são lembranças, o que faço quando começar a esquecer?

Ontem foi o Natal e a neve e quem se foi
Hoje é o sol e a solidão e não pertencer
Amanhã é um carro em alta velocidade, na direção contrária de tudo que espero
Este ano está passando tão rápido que parece uma vida inteira

Eu sei que o tempo e sua inexorável ânsia de tudo atropelar, tudo engolir
Em um único momento deve parar
Deste momento, então, farei uma outra vida, uma vida melhor
Mais uma peça nesse interminável mosaico de cristais e sonhos fugazes que se tornou o meu pensar
E quando este mesmo tempo escorrer por entre meus dedos
E escapar por uma rachadura na parede que nunca tive tempo de consertar
Eu ficarei aqui, me perguntando:

Haverá tempo para nós?

Eu joguei fora todos os meus relógios.

Para Emily, por todo apoio e amor que eu raramente penso merecer

[por Francisco Mahfuz] 13:46

5.7.04

penteados, leite, bolas, higiene e delírio

Finalmente consegui atualizar o photoblog.

Comentem aê.

[por Francisco Mahfuz] 14:45

best wishes

Por motivos de saúde, nao aconteceu a conferência de Sua Santidade o Dalai Lama. Fui informado de que nao é nada grave, mas ainda assim ficam aqui meus votos por sua melhora.

GANG RI RA WE KOR WA SHING KHAM DIR /
PEN DANG DE WA MA LU YUNG WE NE /
CHEN RE ZIK WANG TENZIN GYATSO YI /
SHAB PE SI THAI BAR DU TEN GYUR CHIG //

No Paraíso das Montanhas Nevadas, tu és a fonte de bondade e felicidade. Poderoso Tenzin Gyatso Cherenzig, por favor, permaneça entre nós até que acabe o Samsara.


Quem sabe na próxima vez.

[por Francisco Mahfuz] 14:01

3.7.04

anti-manifesto (ui, disculpa, senhor clubber virtuoso)

Ou de repente eu devo me despir desse monte de aversao e ignorância e me dar conta que cada um faz o que quiser, e se esses clubes (e a música) existem é porque têm público pra eles. Melhor eu faço nao indo em lugares que eu sei vao me incomodar e deixando todo mundo ser feliz.

:-L pra mim.

[por Francisco Mahfuz] 19:20

manifesto caña (larga, fubango)

Fui esses dias no Pacha, que é um dos maiores clubes da Europa, com filiais em Londres, Mallorca, Ibiza e por aí vai (é uma merda, mas ainda assim). Um dos meus amigos ia tocar, e achei de bom tom prestigiar a figura. Mas aqui ó: estou meio cansado de ir em clubes de, em teoria, música eletrônica, e escutar esse house PRA PLAYBOY CAÇAR. Hoje em dia tudo que é lugar tem um DJ, nao tem quase mais aquela coisa de botar músicas conhecidas e tal. Mas daí o que acontece é o seguinte: um monte de cara arrumadinho chega lá, onde as patricinhas também estao por toda parte, ficam com um drink na mao, mal se mexendo, SÓ NA PEDALADINHA, e tentando pegar mulher. Entendo, já tive minhas noites de sair de casa NA SECA, mas nao é esse o propósito dos clubes. Meu amigo tocou bem, deu uma certa animada, mas nem o fato de estarmos na área VIP (TE METE, CHINELO) salvou o dia.

Me lembro como no Brasil eu era pouquíssimo parceiro de ir pra BALADA, por esses mesmos motivos. Chegando em Londres minha primeira experiência foi o Bar Rumba, onde rola o TERROR ABSOLUTO em forma de música: DRUM'N'BASS. Grande presença de GATAS ESTAILE, mas nao é esse o princípio da noite. Dá pra tranqüilamente se dar bem, especialmente se tu fores NEGRO (e LINDO, por tabela), já que drumba é o HIP-HOP DE CLUBBER, e quem conhece o YES YES Y'ALL sabe que BOOTY-SHAKING BEAUTIES LOVE THE DARKNESS. É uma pena pra nós, BRANCOS, já que diz a sabedoria popular que ONCE YOU GO BLACK, YOU NEVER GO BACK. Rituais tribalísticos de dança, teto baixo, fumaça, cotovelos jogados pro alto e entrega completa: noites pro vivente lembrar que ainda existe.

Mas claro, tem gente que ainda prefere ir em lugares que sao o CORD PRA CLUBBER, entao deixa.

[por Francisco Mahfuz] 19:17

me dei bem

Na última semana saí da casa do Gabriel e fui fazer um social com um casal amigo do meu pai, Hélio e Teresa Piñon. Bom, nao só tive uma ótima semana de almoços, jantas e quarto (suíte) próprio como, encantados com a minha CIVILIDADE e POLIGLOTICE, fui convidado a ficar na casa ENQUANTO ELES VIAJAM. Nesse momento estou num duplex em Barcelona, numa das melhores zonas da cidade, DE BANDA. Sim, o que vem na cabeça sao churrascos, festas e vadias, mas NEM. Me farei merecedor da confiança.

Isso se a gata deles nao comprovar a suspeita que tenho de sua psicose e me matar durante a noite, obviamente.

[por Francisco Mahfuz] 18:51



remember me as a time of day
shared the ramblings of a drinking dog