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19.9.06

Porto Alegre será o Império ou Pontos corridos nos salvarão

(Originalmente publicado no Impedimento)

A distância realmente permite uma perspectiva diferenciada. Acompanhei futebol por todo o tempo que estive no Brasil e só agora, daqui do berço de tão amado esporte, percebi uma das suas características mais óbvias, mais gritantes: é fácil ser um clube vencedor. A dominação total e absoluta do país é possível e já está a caminho. E afirmo, tentando não engasgar no bairrismo, que Porto Alegre será o Império.

Eu nunca gostei de campeonatos de pontos corridos. Concordava com todas as críticas mais óbvias: não é tão emocionante, algum time pode disparar e fazer a coisa toda perder a graça, só quem tem dinheiro se dá bem. No fundo o motivo era muito mais simples: o Grêmio, imortal copeiro, nunca ganharia absolutamente nada nesse formato. Hoje vejo que todos esses conceitos eram nada mais nada menos que preconceitos. E a verdade é que esse é, sem dúvida, o melhor formato possivel.

O campeonato atual é prova de que a emoção é muito maior quando acumular pontos é sempre importante. Em anos anteriores terminar em primeiro ou oitavo quase nao fazia diferença (geralmente só garantia o mando de campo nas finais). Depois de entrar no grupo dos oito a maioria dos times jogava pra garantir sua posição, guardando-se para as finais. Hoje a premiação é diferente e uma posição a menos pode ser a diferença entre a Libertadores ou nada (para nao falar no título, obviamente). Sim, um time pode realmente disparar e ganhar o campeonato com algumas rodadas de antecedência, mas e daí'? Isso só significa que havia merecimento - e evita que um único momento de distração da zaga ou uma decisão dúbia do juiz destruam um trabalho bem feito e consagrem um time pior. Todos os campeonatos europeus e a maioria dos sul-americanos são assim e ninguém acha isso um prejuízo. Acompanho o Inglês e o Espanhol por aqui e a idéia de que nao há emoção por não haver final parece-me ridícula.

E quanto a afirmação de que esse formato privilegia times ricos? Isso pode ser verdade na Europa, onde a diferença entre um Barcelona e um Sevilha é inegável, mas para isso existem as copas. O Barça levou a Liga dos Campeos e o nacional, o Sevilha ganhou a Copa da Uefa e a Recopa. Me parece de bom tamanho. Mas isso é na Europa; que clube no Brasil é rico? Nosso futebol é, notadamente, de jogadores jovens e veteranos. Os clubes vitoriosos sempre são os que revelam craques e finalmente fazem aquele jogador mais experiente render o que nunca tinha rendido - vide o Inter com Rafael Sobis e Fernandão, pra citar um exemplo recente de sucesso. A maioria dos clubes que tem dinheiro de sobra contratam "craques" que raramente dao resultado - alguem se lembra do Flamengo do Kleber Leite que tinha Romário, Djalminha e outros tantos e nunca chegou a lugar nenhum?

Tudo que é necessário é trabalho e organização. Qualquer clube que tenha um planejamento decente e nao caia na armadilha comum do imediatismo vai se estabelecer como uma força a ser respeitada. O fato de que o Internacional conseguiu sair do horror completo de mais de vinte anos sem um título de expressão e ganhar uma Libertadores é testemunho disso; um presidente sensato, competente e que realmente entende futebol transformou um clube que só vencia regionalmente no melhor da América, quem sabe do mundo em alguns meses. Depois de estabelecer o futebol só é necessário capitalizar na paixão da torcida de forma inteligente, criando um quadro social fiel e assim garantindo a manutenção do clube. Vendas ocasionais de jogadores sempre acontecerão e o prosseguimento do trabalho torna-se viável. O Grêmio, felizmente, parece estar encontrando seu caminho e mostrando que um time organizado com um técnico competente é muito mais valioso do que ter dinheiro para contratar o Tevez - pra não dizer o Amato e o Astrada...

Defender o futebol brasileiro dizendo que somos melhores que a o resto pelo nosso sucesso em Copas é o verdadeiro bairrismo. Como defender um futebol em que o campeão num ano luta contra o rebaixamento no seguinte? Em que clubes trocam três ou quatro vezes de técnico durante a mesma competição? Em que o campeonato é "sempre emocionante e imprevisível" simplesmente porque nenhum time consegue manter um nível razoável de performance? O Brasil não tem o melhor futebol do mundo por causa desses fatores, mas APESAR deles. Sonho com o dia em que treinadores competentes como Mano Menezes fiquem no mesmo clube por anos; com os mesmos times sempre na ponta, forcando todos os outros a saírem da mediocridade e serem mais competentes; e, mais do que qualquer outra coisa, sonho com o dia em que o Brasil terá estádios sempre lotados (com filas nos quadros sociais), equipes niveladas por cima e uma capacidade financeira que não force todos os clubes a venderem seus melhores jogadores a qualquer clube de terceira, incapazes de competir com qualquer outro país minimamente mais competente.

Por isso que vejo o futuro do futebol brasileiro e ele é gaucho. O caminho é muito claro e somos separatistas o suficiente para perceber que clubes organizados como o Boca são o exemplo a ser seguido; ser grande e ser vitorioso são coisas bem distintas, algo que Flamengo e o Corinthians, contentes com suas torcidas intermináveis e total incapacidade de qualquer sucesso contínuo, não parecem perceber.

Ou podemos simplesmente nos conformar com uma Copa do Mundo aqui e ali e continuar para sempre sendo uma colônia.

[por Francisco Mahfuz] 13:27

6.9.06

i don't mind stealing bread

Depois de anos de espera e decepcoes por perder os ultimos shows (ou por datas, como no de Porto Alegre, ou pela total impossibilidade de conseguir ingressos, em Londres) finalmente assisti minha banda favorita, o Pearl jam, ao vivo. Baita show. A qualidade das maioria das musicas (especialmente dos primeiros 4 cds) ja' garantiria um grande espetaculo, mas a energia incrivel do Eddie Vedder fez a coisa toda ainda melhor. Ele nao so' conversou bastante com o publico como se doou em toda a performance e protagonizou momentos de grande diversao ao dancar TRANSTORNADO pelas bordas do palco enquanto seus companheiros faziam solos aleatorios. Algumas musicas faltaram, mas com o tamanho do catalogo isso era mais do que esperado.

O setlist foi esse:

Inside Job
Corduroy
World Wide Suicide
Animal
Dissident
Given To Fly
Breakerfall
In My Tree
Even Flow
You Are
State Of Love And Trust
Whipping
Better Man
Do The Evolution
Life Wasted

Encore 1
Black
(We Belong Together)
**IMPROV**
Elderly Woman...
Crazy Mary
Comatose
Alive

Encore 2
Why Go
I Believe In Miracles
Hunger Strike*
Baba O´Riley*
Yellow Ledbetter

*Com o vocalista do Wolfmother, banda que abriu o show.


Posso morrer feliz. VALEU.

[por Francisco Mahfuz] 13:30



remember me as a time of day
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